domingo, 14 de dezembro de 2025

Um ataque frontal à justiça social disfarçado de “neutralidade”

    A eventual sanção do projeto de lei do deputado estadual Alex Brasil (PL), que extingue cotas raciais e de gênero e mutila políticas de ações afirmativas nas Instituições de Ensino Superior que recebem recursos públicos estaduais, é um ataque direto à justiça social, à educação e à própria democracia.

    Trata-se de um retrocesso brutal, embalado por um discurso hipócrita de “igualdade formal” que serve apenas para preservar privilégios históricos. A proposta finge neutralidade enquanto fecha os olhos, de forma deliberada, às desigualdades profundas que estruturam o acesso à educação no Brasil.

    O Clube de Oratória e Liderança (COL) e o Instituto Viva Cidade (IVC), duas Organizações Sociais com histórico reconhecido em projetos sociais e ambientais e signatárias do Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Santa Catarina, decidiram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), por um manifesto público de reprovação à lei, como pode ser conferido no fim desse artigo.

    Por outro lado, a mesma Alesc aprovou, no dia 10 de dezembro de 2025, o projeto de lei que institui a política estadual de promoção da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A matéria segue agora para sanção do governador, que deverá aprová-la por defender a referida agenda que tem entre os seus 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a promoção da Igualdade de Gênero (ODS 5), Redução das Desigualdades (ODS 10), Paz, Justiça e Instituições Eficazes (ODS 16) e Igualdade Étnico Racial (ODS 18), que a lei proposta pelo inobre deputado Alex Brasil é contra. 

    As ações afirmativas não são invenção ideológica nem concessão graciosa. Elas existem porque os dados gritam. Décadas de pesquisas, estatísticas e experiências concretas — no Brasil e no mundo — comprovam que pessoas negras, mulheres, populações periféricas e de baixa renda partem em desvantagem real e sistemática. Ignorar isso é má-fé intelectual. Tratar desiguais como iguais não é justiça: é violência social institucionalizada.

    Santa Catarina não vive em uma bolha de exceção moral. O Estado reproduz, sim, racismo estrutural e desigualdades de gênero, ainda que alguns insistam em negá-los para manter intactos seus confortos. A sub-representação de pessoas negras e de mulheres em cursos estratégicos, na docência e nos espaços de poder acadêmico não é coincidência — é consequência. Cotas não “roubam vagas”; elas corrigem distorções históricas e democratizam oportunidades. Quem se sente ameaçado por isso revela muito mais sobre seus privilégios do que sobre mérito.

    Extinguir ações afirmativas em instituições financiadas com dinheiro público é rasgar a função social da universidade. Recursos do Estado não existem para sustentar uma elite educacional autocentrada, mas para promover inclusão, mobilidade social e redução das desigualdades. Universidades bancadas pelo povo devem servir ao povo — todo ele, não apenas a uma parcela historicamente favorecida.

    O projeto também afronta o próprio ordenamento jurídico. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu, de forma inequívoca, a constitucionalidade das ações afirmativas por entender que igualdade material exige medidas diferenciadas. Insistir nessa pauta é desprezar o debate jurídico, científico e educacional e substituir argumentos por ideologia rasa.

    O dano simbólico é igualmente grave. Ao atacar cotas raciais e de gênero, a Alesc sinaliza que desigualdades seriam falhas individuais, não problemas estruturais. É uma narrativa covarde, que absolve o Estado, normaliza privilégios e empurra os mais vulneráveis para fora do sistema educacional.

    O governador não pode se esconder atrás de formalismos. Sancionar essa lei é fechar portas, interromper trajetórias e comprometer o futuro de milhares de jovens que dependem do ensino superior para romper ciclos de exclusão. Defender ações afirmativas não divide a sociedade — o que divide é fingir que todos largam do mesmo ponto. Santa Catarina não precisa regredir. Precisa coragem política para enfrentar desigualdades, ampliar inclusão e fortalecer uma democracia que seja real, e não apenas retórica. 

Seguem os manifestos das duas entidades:


Saiba mais sobre o IVC neste blog:

Prefeitura de Joinville é condenada por crimes ambientais
Solo ao lado de lavoura de arroz recebe aterro com cancerígenos em Guaramirim, SC 
Paraíso das Araucárias prevê corte de 1.645 árvores
Valor econômico da Babitonga supera R$ 5 bi/ano
Cachoeira em retificação para a navegação de navios
Ecossistema Babitonga, Retratos do Estuário

Lideranças para evitar o fim do mundo
Joinville é tema na Revista Brasileira de Educação Ambiental

Ambientalistas estimulam retorno de editais na Cia Águas de JoinvilleIVC atento à instalação do TGS da Golar Power na Baía Babitonga
Oscip ambientalista elege nova diretoria para a gestão 2018/2020
Movimento ODS da ONU tem novas lideranças em Santa Catarina
Mulheres agricultoras são foco do IVC
Unidade de Conservação é tema do Grupo Pró-Babitonga
Reunião do Movimento Nós Podemos tem participação destacada do IVC
IVC integra Comitê Executivo do GPB que tenta reverter fechamento do Ibama em Joinville
A maldade também se renova
Com maiores notas de avaliação IVC conquista prêmios do Edital Simdec 2016
Cartas do IV ECEA e IX FBEA
Diário do Fórum Brasileiro de Educação Ambiental
IVC e COL agem em defesa da Baía Babitonga
SC sedia um dos maiores eventos de EA do País
Vilagaia recebe biólogo do IVC em atividade de Educação Ambiental
IVC comemora 9 anos com fogueira, jantar e nova identidade visual
IVC recebeu troféu Onda Verde
IVC conquista a mais importante premiação ambiental do sul do País
IVC apresenta prioridade de pauta para vereadores joinvilenses
IVC se integra ao Movimento ODS instituído pela ONU
IVC apóia criação do Parque Botânico de Joinville
Unidade de Conservação na iminência de loteamento
GTEA recomenda projeto do IVC ao governo catarinense
IVC compõe o CNEA (Cadastro Nacional de Entidades Ambientais)
Empresas podem fazer doações dedutíveis de IR para projetos ambientais
IVC apoia iniciativa do governo catarinense
IVC expõe na Semana Lixo Zero
IVC tem encontro com área de meio ambiente do Porto de São Francisco do Sul
Candidatos se posicionam sobre "bandeiras" do IVC
IVC e Univille iniciam estudo de parceria com foco na Ilha da Rita na Baía Babitonga
IVC quer posicionamento de candidatos que disputam segundo turno em Joinville
IVC conquista reconhecimento de UPE (Utilidade Pública Estadual)
IVC lança novo sítio na internet em evento do governo catarinense
Engenheira ambiental assume presidência do IVC
Estudantes têm encontro com IVC às margens do rio Cachoeira
IVC se consolida com o pioneirismo no meio ambiente
IVC finaliza projeto e escola se torna referência
Escola modelo é 100% meio ambiente
Matéria oficial sobre o evento no sítio da Prefeitura
A primeira confraternização do IVC
Eco-Escola entra em operação na inauguração da Gibiteca
Diretoria IVC Gestão 2012/2014
Ambientalistas ajudam CEI economizar mais de 50% de água
Água da chuva nos banheiros
Exposição fotográfica circula em escolas
Eco-Escola joinvilense
Documentário "O rio que teima pela vida"
O rio que teima pela vida
Projeto ambiental conquista recursos públicos
Duas ONGs comprometidas com o rio Cachoeira
Inauguração na escola Hermann Müller

Saiba mais sobre o COL neste blog:

√ COL lança novo curso e se integra ao Grupo Pró-Babitonga

√ Clube de Oratória e SCPar praticam o ODS 17

√ Quarenta anos focados na formação de líderes e qualificação de oradores

√ COL tem 40 anos de história para comemorar

√ Clube de Oratória encerra projeto marcado por pioneirismo nacional

√ Curso de Oratória, inédito no País, entra na reta final

√ Clube de Oratória e Liderança é signatário dos ODS da ONU

√ Mulheres agricultoras são foco em filme apoiado pelo COL

√ Ajidevi e COL são parceiros em curso para cegos e deficientes visuais

√ COL participa do maior evento de Educação do Brasil

√ COL age em defesa da Baía Babitonga

√ COL é destaque no Jornal O Joinvilense

√ COL e IVC apoiam maior evento ambiental do País

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√ COL forma mais 23 oradores na Polícia Militar Ambiental de SC

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√ IVC e COL eleitos para representar Joinville em Fórum Nacional

√ Escutatória é a ênfase do próximo Curso de Oratória e Liderança

√ Líderes festejam aniversário, posse de diretoria e novos oradores

√ Clube de Oratória e Liderança forma 19 vereadores mirins em Joinville, SC

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√ Palestrante do Clube de Oratória tem excelente avaliação em evento do Mutuação

√ Clube de Oratória tem novo sítio virtual na internet

√ Clube de Oratória renova parceria com a Polícia Militar Ambiental de  SC

√ No Dia do Rio COL encerra projeto "O Marinheiro do Rio Cachoeira"

√ Oratória para policiais militares ambientais

√ "O Marinheiro do Rio Cachoeira" estará na "Virada Educação Joinville" 2015

√ Projeto do COL "O Marinheiro do Rio Cachoeira" já navega na internet

√ Projeto do COL desvenda supostos "enigmas alienígenas" em Joinville

√ Líderes que vão comandar o COL até abril de 2017

√ Há 36 anos formandos oradores e líderes, COL terá segunda mulher na presidência

√ Superação da timidez para falar em público

√ Universidade Federal do Paraná e Clube de Oratória renovam parceria

√ A morte do Juiz festeiro

√ Grandes decisões ao redor da mesa

√ TIFO é o jeito certo de apresentar pessoas

√ Chega ao fim o projeto patrocinado pelo COL "Se ligue no esgoto"

√ Pode acreditar. É escola pública!

√ Espinheiros já está se transformando no melhor bairro de Joinville

√ Uma mentira, de tão repetida, se torna verdade

√ Educação ambiental com o projeto "Se ligue no esgoto"

√ A humildade burra

√ TOTVS investe em arma poderosa, a oratória

√ Os maiores medos do mundo

√ Cada bunda um som

√ Trânsito e liderança

√ A oratória da liderança

√ Público já pode acessar vídeo na internet

√ UFPR e Clube de Oratória firmam parceria para formar empreendedores

√ Clube de Oratória decide por parcerias com a SDR Joinville e Ajidevi

√ Projeto do COL conquista edital da Cia Águas de Joinville

√ Formar líderes e oradores qualificados. Missão sendo cumprida desde 1979

√ Escola modelo é 100% meio ambiente

√ Superação do medo e da inibição

√ Servidor público & cidadão lagunense

√ Oratória para candidatos

√ Ascensão profissional através da leitura

√ Exposição fotográfica circula em escolas

√ Leitura e ascensão profissional

√ Eco - Escola joinvilense

√ A importância da leitura na ascensão profissional

√ COL forma mais 16 oradores e empossa nova diretoria

√ Melhor oradora e maior evolução

√ Dr. Água. Título consagrado

√ Documentário "O rio que teima pela vida"

√ O rio que teima pela vida

√ O maior medo do mundo tem cura

√ Duas ONGs comprometidas com o Cachoeira

√ Golpistas são excelentes oradores

√ Como explicar isso? Comunicação é coisa muito difícil

√ CEO com ênfase em liderança

√ Bons oradores têm melhores cargos e salários

√ Escolas de jornalismo não ensinam oratória


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Prefeitura de Joinville é condenada por crime ambiental no bairro Vila Nova

Nos últimos anos, a região norte de Santa Catarina tem se destacado no cenário nacional pelo uso de Contaminantes Industriais de Fundições (CIFs) em diversos aterros licenciados por uma legislação estadual equivocada e agravados os efeitos danosos ao meio ambiente por seu total desrespeito. 

Os CIFs, também denominados Areia Descartável de Fundição (ADF), são resíduos industriais que têm na sua composição elementos cancerígenos como fenóis e metais pesados que podem provocar graves doenças em animais e seres humanos. Não é coincidência que nestes últimos sete anos, os casos de câncer na região norte de Santa Catarina tiveram um crescimento de 500%, segundo o DATASUS.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) determinou que a Prefeitura de Joinville e Associação Católica Casais Adoradores "comprovem, de forma imediata, a remoção de todo e qualquer material que estava depositado sobre o imóvel localizado à rua Arlindo Corrêa, s/n, final da rua, bairro Vila Nova, Joinville, SC".

Reportagem de jornal confirma que milhares de toneladas de passivos ambientais de fundições continuam sendo descartados de forma criminosa em Joinville

A decisão da 21a. Promotoria de Justiça de Joinville é resultado de um processo que se arrasta na justiça desde 2021, quando a prática criminosa chegou ao conhecimento da Oscip ambientalista Instituto Viva Cidade (IVC) que imediatamente fez "Denúncia Crime" ao MPSC por uso inadequado de Contaminantes Industriais de Fundições (CIFs). A investigação, complementada pela Divisão de Crimes Ambientais da Delegacia de Polícia de Joinville, resultou no Laudo Pericial do Instituto Geral de Perícias da Secretaria de Estado da Segurança Pública e concluiu que  a área, com mais de seis mil metros quadrados, tinha características de um "bota-fora" sem qualquer controle ambiental e somava mais de sete mil toneladas de aterro irregular, oito vezes mais que o autorizado.

Em junho de 2022, reportagem do jornal O Vizinho, edição 845, confirmava que o local havia se transformado numa grande área de descarte irregular de CIFs das empresas Nidec Global Appliance Brasil Ltda, Schulz S.A. e Embraco.

A investigação confirmou que CIFs são arrastados pelas águas da chuva para o leito do Rio Mutucas  sem qualquer controle ambiental e que "todo material estava exposto a intempéries, sendo transportado para pontos diversos da área delimitada pelas autorizações". No desenrolar do processo o MPSC havia sido informado oficialmente, em 2023, que todo o CIF já havia sido removido, o que se confirmou grave falsidade por parte dos réus.

Este é um crime emblemático, da atualidade, que envolve prática protagonizada por igreja e estado relembrando momentos do pior da história da humanidade. A Prefeitura de Joinville e a Associação Católica Casais Adoradores têm que remover todo o CIF da área até o dia 18 de novembro de 2025 sob pena de multa diária de R$500,00. A decisão determinada pela promotoria em 18 de setembro de 2025, com prazo de 60 dias, se justifica. "Ressalta-se que as partes estão cientes de suas obrigações há considerável lapso temporal, o que justifica a fixação de prazo exíguo para o cumprimento das medidas determinadas", justifica Simone Cristina Schultz, em seu despacho (Autos originários nº 5015396-66.2023.8.24.0038 - SIG nº 08.2025.00434558-9).

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sexta-feira, 13 de junho de 2025

Solo, ao lado de lavouras de arroz, em Guaramirim, SC, é local de aterro com resíduos cancerígenos


A edição 850 do Jornal O Vizinho, comemorativa ao Dia Mundial do Meio Ambiente (05) e Dia Nacional da Araucária (24) tem os municípios de Guaramirim e Campo Alegre, como destaque. Renomado pesquisador da USP,  e um dos maiores especialistas no tema - Resíduos de Fundições -, diz que se a obra de construção do Condomínio Aeronáutico Aeropark Vale Europeu não estiver seguindo "criteriosos investimentos em contenção" dos Contaminantes Industriais de Fundições (CIFs), as milhares de toneladas devem estar poluindo o solo do município. 

Capa da edição 850, do Jornal O Vizinho, de junho de 2025


A página 4 está inteiramente tomada pelo assunto e revela que impressionantes milhares de toneladas de CIF estão licenciados para dezesseis empresas despejarem seus passivos ambientais no empreendimento. As imagens revelam o quadro assustador de um contaminante cancerígeno sendo tratado como "produto", e não como "resíduo".


Matéria complementar da capa toma página inteira da edição


A página três destaca a exposição fotográfica "Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário", em exibição durante o mês de junho na Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, e que também foi conteúdo da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Joinville, SC.
Outra notícia da página: apesar de acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que reduziu um pouco os danos ambientais, outras centenas de araucárias serão derrubadas em projeto de ampliação de condomínio, em Campo Alegre, SC.

A página destaca também outro empreendimento que está cortando centenas de árvores em risco de extinção no município de Campo Alegre, SC


No espaço "Do Leitor", artigo do biólogo Guilherme Evaristo revela que "As boiadas continuam passando", como se confirma nas matérias dessa edição do jornal.

A página dois traz um editorial com opinião confirmada do jornal sobre as legislações, o judiciário e os crimes ambientais, cada vez mais avassaladores, Brasil afora


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sexta-feira, 22 de novembro de 2024

"Paraíso das Araucárias" prevê o corte de 1.645 árvores em risco de extinção

Condomínio residencial da CRH Empreendimentos e Participações S/A, denominado “Paraíso das Araucárias” pode se transformar no “inferno” de 1.645 árvores

Foto: Refúgio Ecos da Natureza - Campo Alegre, SC

A araucária, ou pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia), garante a sobrevivência de muitas espécies da fauna e flora. Suas folhas, sementes e madeira são importantes para manter o equilíbrio do ecossistema. É tamanha a sua importância que em 2005, por meio de um decreto presidencial, criou-se o Dia Nacional da Araucária, comemorado em 24 de junho.
Ambientalistas estão inconformados com recente decisão judicial que permitiu o corte da espécie considerada em perigo crítico de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Brechas em normativas e de fiscalização aumentam as chances de que ela desapareça das paisagens nacionais nas próximas décadas. E o empreendimento imobiliário de Campo Alegre, SC, dá enorme contribuição para isso.

Foto: Refúgio Ecos da Natureza - Campo Alegre, SC

Parecer técnico de relatório de vistoria do Consórcio Intermunicipal Quiriri (CIQ), de “Supressão de vegetação nativa em área urbana para fins de parcelamento de solo (condomínio de lotes)”, de 13 de setembro de 2024, aponta para o indeferimento do empreendimento “indicando desconformidades com a legislação”, o que foi acatado pelo órgão ambiental do município.
Todavia, no dia 07 de novembro de 2024, o Juiz de Direito Marcus Alexsander Dexheimer, da 1a Vara Cível da Comarca de São Bento do Sul, determinou decisão liminar favorável ao empreendimento alegando que “os fundamentos que levaram o órgão técnico a proferir parecer desfavorável ao licenciamento do projeto não se sustentam frente ao regramento jurídico vigente, de sorte que não podem ser utilizados pelo Poder Público municipal para indeferir a Licença Ambiental de Instalação do empreendimento”.
A reação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foi imediata contra a liminar. No dia seguinte, o Promotor de Justiça Thiago Alceu Nart ingressou com embargos de declaração argumentando que a concessão de licença pretendida resultará na supressão de espécie ameaçada de extinção. “Assim, é evidente que a decisão proferida, em sede de tutela de urgência, implica em dano irreversível ao meio ambiente”.
O promotor argumenta que conceder a tutela de urgência para o empreendimento “fulmina o interesse na referida discussão, pois o dano ambiental (mesmo que a ação seja julgada improcedente) já estará consumado” e considera a omissão do juízo a análise do perigo de dano e da irreversibilidade, o que justifica como necessários os embargos.
A posterior decisão favorável, em harmonia com o MPSC, do Juiz de Direito Felipe Nobrega da Silva considera a “relevância dos fundamentos apresentados pelo Ministério Público, bem como tendo em vista risco de dano grave ou de difícil reparação”.

Foto: Refúgio Ecos da Natureza - Campo Alegre, SC

Ambientalistas comemoram a mais recente decisão judicial, mas temem a vitória do empreendedor no desenrolar do processo. “A sociedade precisa se unir em defesa do meio ambiente. O caos ambiental que estamos presenciando tem como culpados leis inadequadas, casuísticas e decisões judiciais equivocadas. Precisamos impedir o corte destas araucárias”, conclama Julium Schramm, do Observatório Ambiental.
Faz coro o presidente do Instituto Viva a Cidade (IVC). “Neste momento crítico é imprescindível que o desenvolvimento econômico aconteça de maneira sustentável, harmonizando a geração de empregos e renda com a proteção dos nossos biomas e patrimônios naturais. A preservação das araucárias é vital não apenas para a biodiversidade que conhecemos hoje, mas também para assegurar que as futuras gerações tenham acesso aos recursos valiosos que esse ecossistema oferece”, defende Thiago Zschornack.
O promotor resume a sua manifestação. “Uma vez implementado o corte das árvores em extinção, o dano ao meio ambiente é irreversível. Portanto, a decisão liminar do Poder Judiciário, que na prática autorizou o corte da vegetação nativa, deve ser revista, pois não levou em consideração que os efeitos dela são irreversíveis e a própria legislação veda decisões liminares irreversíveis, ainda mais em prejuízo do meio ambiente. O que o Ministério Público busca, nesse momento, é que a decisão do Poder Judiciário pelo corte ou não da vegetação nativa só ocorra com muita segurança no final do processo, depois do caso ser completamente debatido e analisado. Muito preocupa o Ministério Público a possibilidade de o Poder Judiciário decidir, ao final do processo, que o órgão ambiental tinha razão de não autorizar o corte da vegetação nativa se esse corte já tiver sido realizado de forma precipitada”, pondera Thiago Alceu Nart.

A árvore é destaque como atrativo turístico pela prefeitura de Campo Alegre, SC, como esta imagem que ilustra uma página do sítio virtual oficial do executivo municipal

A araucária possui madeira de excelente qualidade e o seu fruto, o pinhão, tem alto valor nutricional. Por suas características econômicas, a árvore foi exaustivamente explorada sendo incluída na lista das espécies ameaçadas de extinção. A extensão das florestas dessa espécie diminuiu 98%, de 182 mil km2 para 3,6 mil km2. Estudos alertam que a araucária pode desaparecer em menos de 50 anos se decisões, como a recente, forem normalizadas no judiciário.
A valoração econômica dos recursos ecossistêmicos do bioma concentrado de araucárias é inestimável. 
Até o início do século XX o pinheiro-brasileiro dominava as paisagens do sul do Brasil. As florestas de araucária distribuíam-se pelo Paraná (40% da área original), Santa Catarina (30%) e Rio Grande do Sul (25%). Outros estados também premiavam a natureza com alguns remanescentes; São Paulo (3%), Rio de Janeiro (1%) e Minas Gerais (1%).

Fizemos contato com o representante legal da CRH Empreendimentos e Participações S/A, que tem sede à rua Xavantes, 54, em Joinville, SC. Decorridos alguns dias, até o fechamento dessa matéria, não tivemos respostas. 

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