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sábado, 26 de setembro de 2026

Cachoeirômetro - quando os dados começam a contar a história de um rio

Há rios que atravessam cidades, e há rios que atravessam a história de uma cidade. O rio Cachoeira é um deles.
Por suas águas passaram memórias, sonhos, riquezas, embarcações e, também, os impactos de uma cidade que cresceu às suas margens. Hoje, o Cachoeira continua sendo uma das principais bandeiras do Instituto Viva Cidade (IVC), que desde 2008, quando ainda se chamava Instituto Viva o Cachoeira, vem articulando com os poderes públicos municipal e estadual ações voltadas à recuperação ambiental desse importante patrimônio natural de Joinville.
O desafio permanece imenso, mas permanece, sobretudo, a esperança de que um rio possa voltar a ser mais do que um curso d'água que corta a paisagem urbana: possa voltar a ser parte viva da cidade. É nesse caminho que surge uma nova ferramenta de conhecimento, monitoramento e mobilização.
Por iniciativa do conselheiro do Instituto Viva Cidade, Thiago Zschornack, foi criado o Observatório Cachoeirômetro, uma plataforma de inteligência ambiental urbana concebida para reunir, em um mesmo sistema, informações sobre resíduos flutuantes, qualidade da água, saneamento e educação ambiental.
A ideia é simples em sua essência, mas ambiciosa em seus resultados: conhecer o rio para poder cuidar dele. O Cachoeirômetro pretende transformar o próprio rio Cachoeira em um grande observatório ambiental a céu aberto, capaz de revelar, por meio de dados, aquilo que muitas vezes os olhos da cidade não conseguem perceber.

O painel já está acessível ao público com o mapa da Rede de Monitoramento do Rio Cachoeira que contempla 32 pontos de monitoramento e aponta o Índice de Qualidade da Água (IQA)

Mais do que números, esses indicadores representam uma tentativa de construir uma memória ambiental do rio. Cada ponto monitorado, cada índice registrado e cada resíduo retirado passam a compor uma história. Uma história que poderá revelar, ao longo do tempo, se as ações de saneamento, educação ambiental e recuperação do rio estão efetivamente produzindo resultados.
O painel é uma das ações do projeto “Cachoeirômetro – por um rio Cachoeira sem lixo”, proposta de parceria apresentada à Prefeitura de Joinville, em julho de 2026, pelo Instituto Viva Cidade e pelo Clube de Oratória e Liderança (COL).
A proposta de instalação de um sistema de boias de contenção flutuante, em trecho estratégico do rio Cachoeira, foi bem recebida pelo órgão público. O objetivo é permitir que os resíduos transportados pelo rio sejam retidos, coletados, pesados, caracterizados e monitorados. Porque aquilo que hoje simplesmente desaparece rio abaixo poderá, a partir desse sistema, transformar-se em informação. E informação é uma das mais poderosas ferramentas de transformação.

O projeto não pretende apenas retirar resíduos do Cachoeira, mas compreender de onde eles vêm, quanto representam, que tipo de material chega ao rio e o que esses resíduos dizem sobre os hábitos, comportamentos e deficiências existentes na própria cidade.
É nesse ponto que o Cachoeirômetro ultrapassa os limites de um projeto de limpeza. Ele propõe uma nova forma de olhar para o rio. Resíduos, qualidade da água, saneamento básico e comportamento da população passam a conversar dentro de um mesmo sistema de monitoramento e comunicação pública.
E os dados não ficarão restritos aos especialistas. O projeto prevê um forte componente de Educação Ambiental, transformando os resultados obtidos em instrumentos de conscientização destinados à população, às escolas, às empresas e aos visitantes. O  projeto tem potencial qualificado de Educação Ambiental contemplado com:
- Palestras em escolas.
- Visitas de campo de estudantes.
- Visitas técnicas.
- Exposição itinerante.
- Divulgação mensal dos resultados.
- Campanhas em redes sociais.
- Concurso estudantil de conscientização ambiental.
- Divulgação pública mensal do “Boletim do Cachoeirômetro”, contendo dados de resíduos, IQA, curiosidades ambientais e indicadores de saneamento.
- Instalação de painel eletrônico ou portal digital exibindo em tempo real a quantidade de resíduos removidos do rio e os resultados mais recentes do IQA.
Assim, o rio deixa de ser apenas cenário. Passa a ser também sala de aula, laboratório, fonte de conhecimento e instrumento de cidadania.

Os resultados esperados são expressivos, pois a proposta prevê a retirada de dezenas de toneladas de resíduos do rio Cachoeira, além da produção de indicadores inéditos sobre a poluição fluvial urbana em Joinville. Mas talvez os resultados mais importantes sejam aqueles que não podem ser pesados em toneladas.
O projeto pretende ampliar a conscientização ambiental da população, fortalecer a imagem de Joinville como referência em sustentabilidade e oferecer subsídios técnicos para futuras políticas públicas de prevenção da poluição hídrica. Também está prevista a criação do primeiro sistema público integrado de monitoramento de resíduos sólidos e qualidade da água do rio Cachoeira, ampliando a transparência e a compreensão da sociedade sobre a evolução ambiental da bacia hidrográfica.
A divulgação periódica dos resultados do IQA poderá, ainda, contribuir para a valorização dos investimentos realizados em saneamento básico. Ao longo do tempo, o Cachoeirômetro poderá construir uma série histórica de indicadores ambientais, capaz de apoiar decisões técnicas, acadêmicas e governamentais. E poderá fazer algo ainda mais importante: aproximar pessoas e instituições.
A proposta prevê o fortalecimento da governança ambiental municipal por meio da integração entre o poder público, a Companhia Águas de Joinville, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e a comunidade. Porque nenhum rio se recupera sozinho. Um rio é uma responsabilidade coletiva.
A proposta prevê resultados consistentes como:
- Retirada de dezenas de toneladas de resíduos do Rio Cachoeira 
- Produção inédita de indicadores sobre poluição fluvial urbana em Joinville.
- Ampliação da conscientização ambiental da população.
- Fortalecimento da imagem de Joinville como referência em sustentabilidade.
- Subsídios técnicos para futuras políticas públicas de prevenção da poluição hídrica.
- Criação do primeiro sistema público integrado de monitoramento de resíduos sólidos e qualidade da água do Rio Cachoeira.
- Maior transparência e compreensão pública sobre a evolução ambiental da bacia hidrográfica.
- Valorização dos investimentos realizados em saneamento básico por meio da divulgação periódica dos resultados do IQA.
- Produção de uma série histórica de indicadores ambientais capaz de apoiar decisões técnicas, acadêmicas e governamentais.
- Fortalecimento da governança ambiental municipal por meio da integração entre poder público, Companhia Águas de Joinville, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e comunidade.

E há uma dimensão ainda maior nessa história. O que acontece no Cachoeira não termina onde suas águas encontram a Lagoa Saguaçu. O rio é parte de um sistema ambiental maior, e a consequente redução da poluição do Cachoeira representa também uma contribuição para a conservação do Ecossistema Babitonga, que integra seis municípios do nordeste de Santa Catarina: Araquari, Balneário Barra do Sul, Garuva, Itapoá, Joinville e São Francisco do Sul.
A relação do Instituto Viva Cidade e do Clube de Oratória e Liderança com a Baía Babitonga não é recente. Ao longo dos anos, diversas iniciativas foram realizadas e transformadas em importantes instrumentos de conscientização e educação ambiental:
- Exposição fotográfica “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário”
- Documentário “Maré de Conflitos”
- Documentário “O Marinheiro do Rio Cachoeira”
- Documentário “Se Ligue no Esgoto”
- Documentário “Cachoeira, o Rio que Teima pela Vida”
- Vídeo “Fritz, o Morador do Rio Cachoeira”
São obras que registram paisagens, histórias, conflitos e esperanças. E que ajudam a lembrar que proteger um território também significa contar a sua história. E parte dessa história também está documentada como referência nacional em estudo científico em que Joinville é tema na Revista Brasileira de Educação Ambiental.

Outra bandeira que atravessa a trajetória das entidades é a retomada da navegação no Ecossistema Babitonga. O IVC e o COL integram o Grupo de Governança Náutica da Baía Babitonga,  desde sua criação, em 2023. Um movimento criado por iniciativa do SEBRAE/SC para contribuir com o disciplinamento do uso sustentável da Baía, tendo como foco a chamada Economia Azul.
A possibilidade de retomada da navegação no rio Cachoeira também possui uma longa história.
Na reunião realizada em setembro de 2026, o IVC apresentou um relato sobre sua experiência na liderança das iniciativas para a retomada da navegação no Cachoeira durante a década de 2000. Naquele período, a iniciativa contou com o apoio do então governador Luiz Henrique da Silveira e de empresários associados ao Instituto Viva Cidade, produzindo desdobramentos que conheceram tanto momentos de sucesso quanto de fracasso.
A experiência acumulada deixou uma convicção técnica que continua sendo defendida pela entidade: qualquer iniciativa de retomada da navegação no rio Cachoeira estará condicionada à dragagem do rio. Essa posição foi recentemente levada de forma oficial e direta à prefeita de Joinville, Rejane Gambim, em manifestação do Instituto sobre o tema. Não se trata apenas de fazer os barcos voltarem. Trata-se de compreender as condições necessárias para que essa volta seja ambientalmente, tecnicamente e economicamente viável.
Durante a exposição realizada no Grupo de Governança Náutica, o IVC também lembrou que o tema da navegação faz parte de pesquisas e projetos desenvolvidos pelo Instituto Viva Cidade e pelo Clube de Oratória e Liderança há muitos anos, com registros documentais que remontam a 1930. É uma história que atravessa gerações. E justamente por isso desperta interesse no presente.
Representantes do Governo do Estado de Santa Catarina, que participaram do encontro, manifestaram interesse em aprofundar o diálogo, especialmente porque está em andamento um estudo contratado pelo Estado para avaliar o transporte de passageiros entre municípios que integram o Ecossistema Babitonga, incluindo Joinville, Itapoá, São Francisco do Sul e Balneário Barra do Sul.
Ainda neste mês de setembro de 2026, mais um passo é dado nessa direção. Em reunião com o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, dirigentes da Diretoria de Integração de Modais (DIMOD) e da Gerência de Projetos Hidroviários (GEPHI), o tema volta à mesa. E quando um tema retorna à mesa depois de décadas, talvez seja porque o rio ainda esteja esperando.

O Cachoeira já suportou muito. Recebeu as marcas de uma cidade que cresceu, de uma industrialização que transformou territórios, de hábitos que produziram resíduos e de décadas em que a relação entre desenvolvimento e natureza nem sempre encontrou equilíbrio.
Mas o rio continua. Corre, mesmo quando parece cansado. Carrega sedimentos, histórias, resíduos e esperanças. E talvez seja justamente essa persistência que tenha inspirado o título de um dos documentários produzidos pelo IVC e pelo COL: “Cachoeira, o Rio que Teima pela Vida”.
A frase resume uma parte importante dessa história, porque recuperar o Cachoeira não significa apenas limpar suas águas. Significa recuperar a relação de Joinville com o seu rio; transformar números em consciência, consciência em atitude e atitude em política pública; compreender que cada garrafa, cada saco plástico, cada pedaço de resíduo que chega às suas águas é também um pequeno retrato da relação que estabelecemos com a cidade. E significa reconhecer que a saúde do Cachoeira é inseparável da saúde da Baía Babitonga e de todo o território que dela depende.
Quando, em 2008, o IVC e o COL levaram à prefeitura a proposta de criação de um corredor de conscientização e educação ambiental às margens do rio Cachoeira, na região da central da cidade, vislumbrava-se o que se materializa hoje: o Parque Linear Porto Cachoeira, que prevê a requalificação das margens do rio, transformando-se em um corredor que deve conectar também equipamentos de turismo e lazer.
E o Cachoeirômetro nasce, portanto, como ação complementar, como ferramenta de monitoramento, e carrega uma ambição maior: fazer com que o rio seja visto pelos governos, pelas empresas, pelas escolas, pela comunidade. 
Visto por quem passa diariamente por suas margens e, talvez, já tenha deixado de percebê-lo. Porque aquilo que não vemos dificilmente cuidamos e aquilo que aprendemos a conhecer começa, finalmente, a fazer parte de nós.
O futuro do rio Cachoeira não está apenas dentro de suas águas. Está também nas escolhas que a cidade fará a partir delas. E, enquanto houver quem monitore, pesquise, eduque, denuncie, dialogue e sonhe com um rio vivo, o Cachoeira continuará fazendo aquilo que sabe fazer há séculos: teimar pela vida.

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domingo, 31 de maio de 2026

Exposição ocupa novo espaço cultural no Parque Zoobotânico de Joinville, SC

A exposição fotográfica “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário” ficará exposta na cerca do Parque Zoobotânico de Joinville, de 1 a 24 de junho de 2026. Um novo espaço cultural da cidade. Os 38 painéis fotográficos contemplam imagens dos seis municípios inseridos no Ecossistema Babitonga (Araquari, Balneário Barra do Sul, Garuva, Itapoá, Joinville e São Francisco do Sul). As imagens são do jornalista e Educador Ambiental Altamir A. Andrade.

Foto: Thiago Zschornack#PraTodosVerem: Fotografia ao ar livre em um parque arborizado (Zoobotânico de Joinville). Em primeiro plano, à esquerda, um homem (Altamir A. Andrade) de cabelos brancos, barba curta, óculos escuros, camisa verde de mangas compridas e calça jeans posa sorrindo ao lado de uma exposição fotográfica montada em painéis fixados a uma cerca. Os painéis se estendem ao longo de uma calçada pavimentada, cercada por árvores e vegetação densa. Ao fundo, duas pessoas observam a exposição e um ônibus turístico colorido desce a via. A luz do sol atravessa as árvores, criando sombras sobre o caminho


#PraTodosVerem: Cartaz da programação do Junho Verde 2026, da Prefeitura de Joinville. No topo, fotografias de paisagens naturais da região, incluindo áreas de mata, rio, vegetação e vista aérea da serra. Ao centro, o título “Junho Verde 2026” e o slogan “Preserve. Isso também é Joinville”. Abaixo, o destaque para a exposição fotográfica “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário”. Informações do evento: de 1º a 24 de junho, no Parque Zoobotânico, localizado na Rua Pastor Guilherme Rau, 462, bairro Saguaçu. À direita, há um QR Code para acesso à programação completa. Na parte inferior, aparecem as marcas da Prefeitura de Joinville e da Secretaria de Meio Ambiente

A atividade consta como evento do programa Junho Verde 2026, alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, e faz parte do calendário oficial de Joinville com o objetivo de promover a conscientização ambiental e a colaboração integrada entre diferentes instituições e a população. O Instituto Viva Cidade (IVC), um dos parceiros do projeto, também é tema de reportagem na  Revista DUO Joinville, como um dos eventos alusivos.


A  matéria está nas páginas 120 e 121 da edição 160 de junho de 2026

Joinvilenses e turistas que subirem o Morro da Boa Vista em direção ao Mirante podem apreciar as imagens da exposição que já foram vistas por mais de 25.000 pessoas. Belezas naturais, agressões e crimes ambientais são retratados nas imagens com metade delas em cor e a outra metade em preto & branco, “como estratégia semiótica para uma provocação contraditória de percepções”, explica o autor.

Um dos painéis contém fotos históricas do Rio Cachoeira, no período de 1930 a 1948, encontradas no lixo, com registros de aprofundamento de leito e retificação de margens para viabilizar a navegação de grandes embarcações até o porto do Mercado Público Municipal de Joinville. A exposição já circulou em escolas da rede pública estadual de ensino nos seis municípios do ecossistema e também na sede da Coordenadoria Regional de Educação (CRE Joinville), em 2024. Ano passado a Biblioteca Pública Municipal Central, Shopping Cidade das Flores, Udesc Campus Joinville, Univille, Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior e o Mercado Público Municipal também foram contemplados com a exibição do conjunto fotográfico.

A exposição também foi destaque na VI Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente na Escola SESI de Referência – Moinho Joinville, que em 2025 reuniu dezenas de alunos da rede pública e privada da região. Nesse ano de 2026, alunos e professores do Bom Jesus/Ielusc e da Escola Municipal Professor Francisco Rieper também puderam contemplar o acervo em suas instituições.

Proposto pela Ipê Produções, de Joinville, SC, selecionado pelo Edital Lei Paulo Gustavo LPG SC 2023, executado com recursos do Governo Federal e Lei Paulo Gustavo de Emergência Cultural, por meio da Fundação Catarinense da Cultura (FCC), o projeto “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário” foi concluído em 2024 e já cumpriu sua proposta oficial.

O principal legado da exposição é a confirmação de que projetos culturais financiados com recursos públicos podem gerar impactos que ultrapassam o período formal de execução. A continuidade espontânea viabilizada por parcerias institucionais e pelo interesse de escolas e entidades culturais, reforça a ideia de que o investimento público em cultura pode produzir resultados duradouros, ampliando o acesso à arte, ao conhecimento e ao debate público, numa comprovação inequívoca de sustentabilidade de projetos.

Essa ação, de continuidade, conta com o apoio de diversas entidades: Secretaria de Meio Ambiente de Joinville (SAMA), Ipê Produções, Instituto Viva a Cidade (IVC), Clube de Oratória e Liderança (COL), Comitê Joinville do Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Santa Catarina, Grupo de Trabalho de Educação Ambiental da Baixada Norte (GTEA RH06) da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental de Santa Catarina (CIEA/SC) e Sindicato dos Radialistas e demais Empregados em Empresas de Radiodifusão e Televisão da Região Norte Nordeste de Santa Catarina (Sindiradio TV).

Saiba mais sobre a exposição:

Valor econômico da Babitonga supera R$ 5 bi/ano
Cachoeira em retificação para a navegação de navios
Ecossistema Babitonga, Retratos do Estuário

Mais matérias sobre meio ambiente neste blog:

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Escola de comunidade rural recebe exposição

        Na paisagem silenciosa onde o rio encontra o mar, histórias antigas e urgentes continuam a pulsar. É nesse território de encontros — entre águas, cidades e memórias — que a exposição fotográfica “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário” chega à Escola Municipal Professor Francisco Rieper, onde permanecerá de 4 a 25 de maio de 2026.

#PraTodosVerem: Mulher adulta, de pele clara, cabelos castanhos presos, sorri para a câmera (Josiane Kohn, diretora da Escola Municipal Professor Francisco Rieper). Ela veste camisa polo rosa, blazer azul-marinho, calça azul e sapatos claros. Está em pé, na quadra de esportes, entre três painéis expositivos verticais com fotos e textos sobre o ecossistema da Babitonga. Os banners mostram imagens de rios, manguezais e registros históricos. O local possui estrutura com pilares, grades metálicas ao fundo e parte de um telhado visível. O dia é claro, com luz natural iluminando a cena

        Os 38 painéis fotográficos contemplam imagens dos seis municípios inseridos no Ecossistema Babitonga (Araquari, Balneário Barra do Sul, Garuva, Itapoá, Joinville e São Francisco do Sul). As imagens são do jornalista e educador ambiental Altamir A. Andrade. Belezas naturais, agressões e crimes ambientais são retratados nas imagens com metade delas em cor e a outra metade em preto & branco, “como estratégia semiótica para uma provocação contraditória de percepções”, explica o autor.

Um dos painéis contém fotos históricas do Rio Cachoeira, no período de 1930 a 1948, encontradas no lixo, com registros de aprofundamento de leito e retificação de margens para viabilizar a navegação de grandes embarcações até o porto do Mercado Público Municipal de Joinville. A exposição já circulou em escolas da rede pública estadual de ensino nos seis municípios do ecossistema e também na sede da Coordenadoria Regional de Educação (CRE Joinville), em 2024. Ano passado a Biblioteca Pública Municipal Central, Shopping Cidade das Flores, Udesc Campus Joinville, Univille, Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior e o Mercado Público Municipal também foram contemplados com a exibição do conjunto fotográfico.

#PraTodosVerem: Fotografia antiga (1948) de margens do rio Cachoeira, no bairro Bucarein, de terra escura e lamacenta, sendo removida, escavada. Em primeiro plano, uma pequena canoa de madeira está presa por uma corda, flutuando na água calma. À esquerda, aparece parte de uma draga com estrutura metálica. Ao fundo, dois barcos de maior porte estão atracados próximos a um trapiche de madeira simples. Há construções rústicas na margem direita e vegetação ao redor, com morros ao fundo. A cena mostra sinais de intervenção humana no curso do rio, com barrancos cortados e estruturas de contenção

O autor diz que o universo escolar é uma prioridade para a montagem. “A exposição também foi destaque na VI Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente na Escola SESI de Referência – Moinho Joinville, que em 2025 reuniu dezenas de alunos da rede pública e privada da região. Nesse ano de 2026, os mais de cinco mil alunos e professores do Bom Jesus/Ielusc também puderam contemplar o acervo”.

Em 2025, a Escola Municipal Professor Francisco Rieper foi uma das vencedoras do “Prêmio Lume: Escola Referência”, realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC). O prêmio busca identificar, valorizar e divulgar experiências exitosas na educação básica, com foco em boas práticas na educação. Segundo a diretora da escola, Josiane Kohn, a exposição fotográfica será aplicada como atividade pedagógica aos alunos. “E também uma oportunidade de acesso aos pais e à comunidade escolar”.

        Fundada em 1930 e localizada no bairro Dona Francisca, a Francisco Rieper atende 123 alunos do 1º período da Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental e mantém um histórico sólido de desempenho refletido também em indicadores nacionais como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), onde já registrou notas expressivas como 8,2 nos anos iniciais.

Ano passado a escola também atingiu as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Municipal (IDEM) para as etapas de Primeiro/Segundo ano e Terceiro ao Quinto ano. Um resultado significativo, pois o IDEM é o principal termômetro da rede municipal para medir não apenas a aprovação, mas a efetiva aprendizagem dos alunos. O IDEM avalia o desempenho em proficiência. O sucesso nos dois níveis sugere que a escola está conseguindo alfabetizar na idade certa e consolidar o conhecimento necessário para a transição para os anos finais.

Proposto pela Ipê Produções, de Joinville, SC, selecionado pelo Edital Lei Paulo Gustavo LPG SC 2023, executado com recursos do Governo Federal e Lei Paulo Gustavo de Emergência Cultural, por meio da Fundação Catarinense da Cultura (FCC), o projeto “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário” foi concluído em 2024 e já cumpriu sua proposta oficial. 

O principal legado da exposição é a demonstração de que projetos culturais financiados com recursos públicos podem gerar impactos que ultrapassam o período formal de execução. A continuidade espontânea viabilizada por parcerias institucionais e pelo interesse de escolas e entidades culturais, reforça a ideia de que o investimento público em cultura pode produzir resultados duradouros, ampliando o acesso à arte, ao conhecimento e ao debate público, numa comprovação inequívoca de sustentabilidade de projetos.

Essa ação, de continuidade, conta com o apoio de diversas entidades: Escola Municipal Professor Francisco Rieper, Ipê Produções, Instituto Viva a Cidade (IVC), Clube de Oratória e Liderança (COL), Comitê Joinville do Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Santa Catarina, Grupo de Trabalho de Educação Ambiental da Baixada Norte (GTEA RH06) da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental de Santa Catarina (CIEA/SC) e Sindicato dos Radialistas e demais Empregados em Empresas de Radiodifusão e Televisão da Região Norte Nordeste de Santa Catarina (Sindiradio TV).

        E a jornada segue. Após a escola, a exposição ganha novos ares no Parque Zoobotânico de Joinville, integrando a programação do Junho Verde, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Ali, mais uma vez, as imagens convidam à pausa — e ao despertar. Porque, no fim, olhar é também um ato de responsabilidade.

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