Desde março de 2009 publico artigos e matérias com prioridade para Oratória, Liderança, Cultura e Artes. Este canal se amplia também como veículo de denúncias de irregularidades e crimes na área socioambiental.
A recente exibição nacional do longa-metragem catarinense Um Dia Extraordinário, dirigido pela cineasta Cíntia Domit Bittar, na tradicional sessão Tela Quente da Rede Globo, representa mais do que um reconhecimento artístico: marca um avanço estratégico do audiovisual catarinense no cenário econômico e produtivo nacional. A presença do filme na TV aberta nacional amplia o alcance da produção local, fortalece a cadeia produtiva do audiovisual e reafirma o potencial cultural e econômico do setor em Santa Catarina.
Minha primeira investida no setor foi em 2009 com um documentário sobre o Clube de Oratória e Liderança (COL). Desde então, outros curtas, médias e longa metragens se integraram ao portfólio da minha empresa Ipê Produções. Essa trajetória profissional conduziu-me ao Comitê Gestor do Fórum Setorial Permanente do Audiovisual de Santa Catarina (CG-FSPAv SC). Eleito em 26 de setembro de 2023 represento, desde então, a região norte do estado.
"Maré de Conflitos" é uma das obras da minha cinematografia
Sou também um ávido consumidor do audiovisual e me tornei entusiasta dessa atividade econômica. Acredito que o momento vivido com a obra da cineasta, que pode ser acessada na Globo Play, simboliza a maturidade de um setor que deixou de ser apenas cultural para tornar-se econômico, pois o audiovisual de Santa Catarina demonstra que criatividade e inovação caminham juntas com desenvolvimento econômico. Hoje, falamos de uma indústria capaz de gerar emprego, renda, arrecadação e posicionamento estratégico do estado no Brasil e no mundo.
Estudo conduzido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) revela que o setor cresceu 429% em uma década, consolidando uma cadeia produtiva diversificada e territorialmente distribuída. O levantamento identificou cerca de 500 agentes econômicos atuando no setor, com polos estruturados em Florianópolis, Joinville, Blumenau e Itajaí, formando microclusters criativos que estimulam inovação, cooperação empresarial e competitividade. Esse modelo territorial confirma o audiovisual como um vetor de desenvolvimento regional. O audiovisual cria um ecossistema produtivo onde tecnologia, educação, turismo e economia criativa se conectam. Ele não apenas produz filmes — produz oportunidades.
Os impactos econômicos são concretos. O setor já demonstra capacidade significativa de arrecadação, geração de renda e movimentação de serviços digitais e culturais. Além disso, forma profissionais qualificados e estimula empreendedorismo, com milhares de microempresas e trabalhadores especializados atuando na cadeia. No cenário nacional, dados levantados pela Oxford Economics e pela Motion Picture Association indicam que o audiovisual brasileiro se consolidou como um dos segmentos mais dinâmicos da economia contemporânea.
Em 2024, o setor respondeu por cerca de R$ 70 bilhões no PIB, representando aproximadamente 0,6% da economia nacional, além de sustentar mais de 600 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, superando a indústria automobilística em capacidade de geração de postos de trabalho. O estudo também mostra que a remuneração média no audiovisual pode superar a média nacional em até 84%, refletindo alta produtividade e valor agregado. Esses dados revelam uma mudança estrutural na economia global. Vivemos a transição para uma economia baseada em conhecimento e propriedade intelectual. Países e regiões que investirem no audiovisual estarão investindo em inovação, tecnologia e soberania cultural.
Apesar do crescimento, há um desafio estratégico: o descompasso entre consumo e produção nacional. O Brasil figura entre os maiores mercados consumidores de conteúdo audiovisual do mundo, impulsionado pelo streaming, televisão e cinema. No entanto, grande parte dessa demanda ainda é atendida por produções estrangeiras, o que reduz o impacto econômico local do consumo cultural. O público existe, a demanda existe. O desafio é transformar esse consumo em produção local, empregos e renda para o país e para estados como Santa Catarina.
Nesse sentido, o fortalecimento do audiovisual catarinense é apresentado como estratégia econômica, e não apenas cultural. Investir no audiovisual é investir em desenvolvimento territorial, inovação tecnológica, qualificação profissional e atração de investimentos. O setor tem potencial para tornar Santa Catarina uma referência nacional da economia criativa.
Alinhado ao Fórum Setorial Permanente do Audiovisual de Santa Catarina defendo que políticas públicas estruturantes, mecanismos de fomento, incentivos à produção e estratégias de internacionalização são essenciais para consolidar o setor como um dos pilares do desenvolvimento catarinense. O audiovisual já demonstrou que é indústria. Agora precisamos tratá-lo como tal.
Um dos mais importantes estuários do sul do Brasil é tema de documentário da Joinvilense Ipê Produções Cinematográficas. “Maré de Conflitos” traz à tona os problemas causados pelo fechamento do Canal do Linguado em 1935 e o excesso de empreendimentos portuários atualmente em licenciamento no frágil ecossistema.
A obra também revela que Joinville é uma cidade que ainda abriga centenas de famílias que vivem exclusivamente da pesca. O trailer está para acesso públicona internet. A obra completa também.
Sinopse O Ecossistema Babitonga é contemplado com um dos mais importantes estuários de Santa Catarina, a Baía Babitonga. Há milhares de anos a pesca artesanal é uma prática da vocação natural desse ambiente. A maior e mais industrializada cidade catarinense, Joinville, tem milhares de moradores em seus diversos bairros banhados por rios que deságuam na baía. Centenas deles ainda vivem exclusivamente da pesca. Caranguejos, ostras, mariscos e pescados diversos fazem parte da alimentação básica destas famílias ou geram renda para as suas sobrevivências. Esse público vem sofrendo diminuição por diversos fatores. Um deles deve-se ao desastre ambiental promovido pelo fechamento do Canal do Linguado, em São Francisco do Sul, SC, que vem, há quase um século, promovendo um constante assoreamento que inviabiliza, cada vez mais, a navegação e a pesca. Outro fator mais recente é o crescente número de empreendimentos portuários em obra e ou em licenciamento que pode impedir definitivamente a navegação de pequenas embarcações e também a pesca.
A fragilidade do ecossistema aliada ao desastre ambiental e ao crescente número de empreendimentos pode levar ao extermínio essa milenar profissão. “Maré de Conflitos” é um alerta à sociedade sobre o alto preço ambiental e social dessa tendência; todavia mostra também que a opção ao desenvolvimento sustentável é a alternativa para a preservação deste patrimônio natural e cultural da pesca artesanal.
Ficha Técnica
Direção e fotografia: Altamir Andrade
Som e Trilha Sonora Original: Fábio Cabelo
Edição e Montagem: Julium Schramm
Locução: Kléber Douglas Bedin
Produção Executiva: Daiane Couto da Cunha
Realização: Instituto Viva a Cidade (IVC)
Produção: Ipê Produções
Difusão: Ilaine Melo
Elenco
Ângela Regina de França – Pescadora aposentada e Presidenta da Colônia de Pesca Z32 de Joinville
Cláudio Rudolfo Tureck – Professor Dr. e pesquisador da Universidade da Região de Joinville - Univille
Dannieli Firme Herbst – Dra. da UFSC e Pesquisadora da Universidade de Barcelona, Espanha
Edilson de Oliveira Godois (Japa) – Pescador e Delegado do Sindicato dos Pescadores de SC
Fabiano Grecco de Carvalho – Biólogo e Mestre em Ecologia e Conservação
Jessica Ferreira – Bióloga e Zooarqueóloga do Projeto Tradition da Universidade de Barcelona, Espanha
Julium Schramm – Ambientalista e membro do Conselho de Presidentes do IVC
Márcio Francisco Bertoti (Bode) – Pescador artesanal profissional
Tiago Alzuguir Gutierrez – Procurador do Ministério Púbico Federal (MPF Joinville)
2022 - Documentário Curta-Metragem, 25 min, sobre a pesca artesanal na Baía Babitongapremiado em 2021, com recursos públicos, pelo Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec)edital 001/2020/PMJ. Resultado do projeto "Pescadores de Areias" de iniciativa doInstituto Viva a Cidade (IVC), a obra teve como base a Pesquisa de Patrimônio Imaterial viabilizada também com recursos públicos do Simdec 2016 no projeto "Pesca artesanal, um olhar de perto".
Estreias
Local: Anfiteatro I da Univille, em Joinville, SC
Data: 21/11/22 (Dia Internacional da Pesca) Horário: 10h30
Apoio: Comitê Joinville do Movimento Nacional ODS Santa Catarina
Local: Cine Teatro Sesc de Joinville, SC
Data: 24/11/2022 (Dia do Rio) Horário: 19h30
Apoio: Clube de Oratória e Liderança (COL)
Local: Auditório do Instituto Federal Catarinense (IFC)
Campus São Francisco do Sul
Data: 06/12/22Horário: 10h40
Apoio: Grupo de Trabalho de Educação Ambiental GTEA RH06 da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental de Santa Catarina (CIEA/SC)
Após estas exibições de estreia "Maré de Conflitos" poderá ser apresentado para grupos fechados, exclusivamente, pois cumprirá agenda de participações em festivais do gênero até dezembro de 2024. A partir de 2025 comporá o acervo da produtora para acesso público nas redes sociais.
Duas obras cinematográficas serão exibidas na "Virada Educação Joinville", SC. Uma tem repercussão nacional. Trata-se do filme "Território do Brincar".
Outra, tem repercussão local, "O Marinheiro do Rio Cachoeira". Das 14h às 14h30 acontece a exibição do documentário que conta parte da história do rio que já foi um dos mais poluídos do sul do Brasil. O vídeo, de 26 minutos, tem imagens dos últimos 85 anos que revelam algumas intervenções feitas no leito e margem do Rio Cachoeira, em Joinville, SC, para torná-lo navegável; e também sua quase morte com o fim da navegação. A obra, produzida por Ipê Produções, uma produtora local, conta ainda que nos últimos 35 anos esse ecossistema urbano foi vítima de constantes crimes ambientais recebendo rejeitos industriais da maior e mais industrializada cidade catarinense. Ela mostra também que a mobilização da sociedade civil organizada, a partir de 1993, obrigou os governantes à prática de políticas e investimentos públicos voltados à recuperação ambiental do Rio Cachoeira. O vídeo é praticamente todo narrado pelo marinheiro aposentado Adilson Lopes da Silva que iniciou a profissão no Rio Cachoeira. "O Marinheiro do Rio Cachoeira", que foi patrocinado pelo Bureau de Comunicação e Eventos Ltda-ME e pela CAJ (Companhia Águas de Joinville) através de edital público conquistado pelo COL (Clube de Oratória e Liderança), confirma que proteger e recuperar o meio ambiente é uma decisão política conquistada pela pressão da sociedade. Das 14h30 às 15h participarei, como diretor do documentário, e acompanhando do principal protagonista, o marinheiro aposentado Adilson Lopes da Silva, de um debate com os presentes ao evento "Virada Educação Joinville", que acontece no dia 19 de setembro na Escola Municipal Professor Saul Sant'Anna, à rua Padre Roma, 800, Bairro João Costa. A Virada Educação é um projeto sobre provocar novas apropriações de um território em direção à construção coletiva de uma comunidade mais conectada, que percebe o aprender e o ensinar espalhados por todos os lugares. A primeira experiência da Virada aconteceu no Centro de SP em 2014. Enquanto parte do processo, a Virada Educação conta com um dia de celebração repleto de atividades ocupando de forma criativa um território. As ações são organizadas em quatro categorias: Diálogos Rodas de conversas para aproximar a escuta sobre questões essenciais da educação e nossas relações. Exibições Exibições de filmes, peças teatrais, mostra de fotografias, música e muito mais. Intervenções Ações que deslocam o espaço, as pessoas e criam um movimento próprio. Trilhas e Oficinas Atividades que promovem o aprendizado por meio de situações práticas e conectadas ao território. A outra obra, que será exibida a partir das 15h com termino às 16h30 e espaço para debate até às 17h30, é um trabalho de pesquisa, documentação e sensibilização sobre a cultura da infância e sua expressão mais genuína: o brincar. "Território do Brincar" é uma realização do Instituto Alana, que tem como missão Honrar a Criança. De abril de 2012 à dezembro de 2013, a educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks percorrem diversas regiões brasileiras, incluindo comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, localidades no sertão e no litoral, revelando o país através dos olhos das crianças e realizando um trabalho de escuta, intercâmbio de saberes, registro e difusão da cultura infantil. São inúmeros registros de brinquedos e brincadeiras de regiões brasileiras, diversas manifestações populares onde a criança tem uma participação efetiva, que estão publicados em filmes, textos e fotos no site do Projeto (www.territoriodobrincar.com.br). Com o resultado desse Projeto está sendo produzido um filme de longa metragem, duas séries para televisão, dois filmes de curta metragem para educadores, três livros e uma exposição itinerante. A iniciativa de trazer esta obra para o evento foi minha e do IVC (Instituto Viva Cidade).
Mais sobre "O Marinheiro do Rio Cachoeira" neste blog: O Marinheiro já navega a internet O Marinheiro do Rio Cachoeira Enigmas alienígenas de Joinville são desvendados