Na década de 1980 eu era pejorativamente chamado de "Ecoxiita". Na década de 1990, "Ecochato". Na de 2000, "Biodesagradável". Nos anos 2010, "Natureba". A partir de 2020, "Serzinho Insustentável". Essa trajetória ambientalista, a partir de agora, me qualifica mais elegantemente como "Amigo do Meio Ambiente", por iniciativa da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), e indicação do vereador Pastor Ascendino Batista (PSD).
Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)A medalha de mérito "Amigo do Meio Ambiente" me foi concedida em evento realizado na noite de 8 de junho de 2026, em solenidade pública da Câmara de Vereadores de Joinville
#PraTodosVerem: Imagem de duas pessoas posam sorrindo durante uma cerimônia oficial no plenário da Câmara de Vereadores de Joinville. À esquerda, um homem de cabelos brancos, barba e óculos (Altamir Andrade) veste jaqueta escura sobre colete azul e segura uma medalha comemorativa. À direita, outra pessoa de cabelos curtos grisalhos (vereador pastor Ascendino Batista), usando blazer azul-marinho e camiseta preta, segura um certificado de homenagem. Ao fundo, aparecem cadeiras do plenário e um arranjo de flores coloridas sobre a mesa principal. O certificado faz referência à Medalha Amigo do Meio Ambiente, concedida pela Câmara de Vereadores de Joinville. Ambos estão lado a lado, voltados para a câmera
Essa trajetória dedicada com convicção pessoal e compromisso profissional à causa socioambiental, trouxe esse reconhecimento público — mas também cobrou um preço alto.
Em um país onde defender a natureza e denunciar injustiças frequentemente significa desafiar interesses poderosos, cada posicionamento carrega consequências. As retaliações vêm em silêncio e em cadeia:
— Econômicas: parcerias desaparecem, portas se fecham.
— Políticas: articulações nos bastidores tentam isolar projetos, enfraquecer iniciativas e sufocar vozes independentes.
— Sociais: afastamentos, olhares desviados, convites que deixam de existir, relações interrompidas pela conveniência do silêncio.
No Brasil — um dos países mais perigosos do mundo para ambientalistas e jornalistas — atuar no jornalismo ambiental é escolher diariamente caminhar sob risco. Assassinar, retaliar, ignorar, excluir e marginalizar tornam-se práticas recorrentes contra aqueles que insistem em denunciar, informar e resistir. Por isso, esta homenagem transcende um gesto simbólico. É um ato raro de coragem institucional, reconhecimento público e defesa da liberdade de informar. Uma iniciativa incomum, necessária e profundamente inspiradora, que renova as forças para continuar. A recebi com honra, gratidão e emoção.
Para que essa deferência tenha plena contextualização elenco alguns fatos, ações, acontecimentos e projetos que consolidaram minha trajetória na defesa do meio ambiente, conscientização e Educação Ambiental. E inicio com uma das experiências mais inesquecíveis e gratificantes:
1983 – Tomei a iniciativa de liderar um grupo de trabalhadores de uma das fábricas da Cia Hansen Industrial (Tigre), que eu chefiava, para produzirmos, em horário pós-expediente, alimentos orgânicos. Praticamente todos eram filhos de agricultores da região dos bairros Vila Nova e Pirabeiraba. Muitos deixaram suas lavouras para trabalhar na indústria (êxodo rural). Meu estilo democrático e participativo de gerenciar foi fundamental para ganhar a confiança do meu grupo. Um deles cedeu a terra ociosa. Outro, o arado. Outro, os cavalos. Todos trouxeram suas ferramentas. Desmatamos. Aramos. Fizemos as hortas. Semeamos. Sempre aos sábados. Em poucos meses colhíamos hortaliças, milho, feijão. O adubo era orgânico, das criações que eles ainda mantinham. O "veneno" era água de roupa lavada misturada com fumo de corda. O pés de milho ganharam ao seu redor pés de feijão. Insetos que atacariam um não suportam o cheiro dos insetos que atacariam o outro. Colheita de excelente qualidade, saudável. Sem pragas. Sem químicos. Presenteamos muita gente com nossas colheitas. Mais do que saúde física, saúde emocional, com todos comemorando o retorno às suas origens.
2008 - Convidado pelo governador Luiz Henrique da Silveira tornei-me membro do Comitê Temático de Desenvolvimento Econômico Sustentável na Secretaria de Desenvolvimento Regional Joinville de Santa Catarina. Meu voluntariado ambiental foi aproveitado pelo governo estadual para suas políticas públicas.
2011 – Quarto Prêmio Fatma de Jornalismo com o Jornal O Garuvense (JOG) - A premiação foi por reportagem que produzi denunciando o processo de poluição dos rios de Garuva. O Prêmio foi promovido pela Fatma, atual IMA SC. O jornal O Garuvense foi editado pelo Bureau de Comunicação e Eventos, por seis anos, com tiragem de 5.000 exemplares e distribuição gratuita no município de Garuva, SC.
Foi também em 2012 que sofri meu segundo atentado , o primeiro pela causa ambiental. E não seria o último. Em 2013, mais uma vez a morte chega muito próxima de mim com a morte inexplicável e não investigada do amigo nas causas ambientais, jornalista Leonardo Aguiar Morelli.
2013 – Palestrante destaque no II FMB (Fórum Mundial da Bicicleta) que aconteceu de 21 a 24 de fevereiro de 2013, em Porto Alegre, RS, com o tema "Uma criatura menos destrutiva", narrando minha decisão de priorizar a bicicleta como principal veículo de locomoção tornando-me, também, um cicloativista.
2016 – Educador Ambiental certificado pela Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental de Santa Catarina (CIEA/SC). Mais uma vez a parceria com o poder público estadual se consolida na certificação promovida pela CIEA/SC.
2017 – Acompanhei o Grupo Pró-Babitonga (GPB) no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília, para tentar reverter o fechamento da Sede Regional Joinville do IBAMA.
No mesmo ano representei Joinville no IX Fórum Brasileiro de Educação Ambiental e IV Encontro Catarinense de Educação Ambiental, em Balneário Camboriú. Ao saber que os eventos não tinham cobertura jornalística voluntariei-me e criei o Diário do Fórum Brasileiro de Educação Ambiental. Neste mesmo evento fiz uma denúncia de repercussão nacional. A mesma que havia feito semanas antes na Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ).
2018 – Membro da Força-Tarefa de Combate aos Crimes Ambientais em parceria com a Polícia Federal (PF), Polícia Civil (PC), Polícia Militar Ambiental (PMA), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual de Santa Catarina (MPSC) e Instituto Viva Cidade (IVC). Neste mesmo ano tornei-me signatário Pessoa Física do Movimento Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Santa Catarina, do qual já era signatário Pessoa Jurídica com a Oscip Instituto Viva Cidade (IVC), desde 2016.
2020 – Passei por uma formação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) certificando-me Acelerador dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. A partir desta formação comecei a atuar como consultor para os ODS atendendo empresas e instituições.
2021 – Prêmio por Trajetória Artístico Cultural Aldir Blanc 2021 com destaque para obras focadas na área socioambiental a exemplo dos documentários ANAS, O Marinheiro do Rio Cachoeira, Maré de Conflitos, O Rio que Teima pela Vida, Se Ligue no Esgoto e Pesca Artesanal, Um Olhar de Perto, Licença Poética.
No período de 2015 a 2021 realizei diversos Cursos de Oratória e Liderança com Ênfase Ambiental para centenas de profissionais da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina (PMA-SC). Uma relação profissional e de voluntariado que consolidou parceria e apoio nas minhas causas ambientais. Essa formação me permitiu conviver, em alojamento, em Florianópolis, SC, uma experiência enriquecedora com a instituição que é referência internacional.
Também em 2021 fui eleito Secretário Executivo do Grupo Pró-Babitonga (GPB) e co-autor do livro “Memoráveis” que resultou da palestra TEDx com o tema “APA da Babitonga já”.
2023 – Assumi, oficialmente, uma das atividades de maior periculosidade da minha vida: Investigador do Observatório Ambiental (OA) e sofro um novo atentado, em Guaramirim, SC, confirmando que praticar o jornalismo ambiental é um risco constante.
2024 – Este foi um ano de intensas atividades:
- Prêmio “Atitude Cidadã” do Instituto Lixo Zero Joinville com a obra “Maré de Conflitos”, um documentário que é um alerta à sociedade sobre o alto preço ambiental e social pago pelo excesso de empreendimentos portuários no Ecossistema Babitonga.
- Publicação de minha autoria na Revista Brasileira de Educação Ambiental do artigo científico “Jornalismo & Educação Ambiental: Mobilização pela recuperação ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira” como trabalho de conclusão de curso da Pós-Graduação em Educação Ambiental.
- Palestra no Summit Cidades 2024, em Florianópolis, com o tema “A mais poderosa máquina de guerra”, alertando que o antropocentrismo transformou o planeta Terra num “bicho bravo” que reage à devastação ambiental.
- Autoria do projeto e fotógrafo da exposição “Ecossistema Babitonga: Retratos do Estuário” que já recebeu milhares de visitantes em diversos eventos públicos.
- Painelista no Fórum Inovação & Sustentabilidade promovido pelo Consórcio Itá.
2025 - Outro ano de marcantes atividades:
- Palestra na Biblioteca Pública Municipal Central Rolf Colin com o tema "Rumo à Agenda 2030", para servidores públicos do setor. Entusiasta da leitura e da escrita tenho uma parceria de voluntariado de longa data com bibliotecas.
- IV Fórum Brasil ODS, em Joinville, moderei o painel “Perspectivas para um plano futuro”, com representantes do Itamaraty, e o painel das crianças que redigiram a “Carta da Terra das Crianças do Fórum Brasil ODS” que foi enviada à COP 30. Esse painel foi liderado por minha filha, Yamira B. Andrade, 7 anos. A menina, no Primeiro Fórum Brasil ODS, em 2019, tornou-se símbolo como “Bebê ODS”, pois tem me acompanhado, com entusiasmo, em praticamente todos os eventos do Movimento Nacional ODS SC. Destaque-se que ela é a única criança que participou de todos os Fóruns Brasil ODS (2019, 2021, 2023, 2025).
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