A Biblioteca Pública de Joinville será palco do lançamento de “Areias Mortais – Um crime silencioso contra vidas e territórios”, meu novo livro. A obra mergulha em uma investigação iniciada ainda na década de 1990 e que tem como ponto de partida Joinville, cidade marcada pela forte presença da indústria metalmecânica e de fundições.
“Areias Mortais – Um crime silencioso contra vidas e territórios” reúne décadas de investigação jornalística sobre contaminação ambiental, saúde pública e flexibilização da legislaçãoCom 192 páginas, publicado pela Ipê Produções, o livro transforma em denúncia uma questão que durante décadas permaneceu praticamente invisível: o destino e os impactos ambientais e sociais da chamada Areia Descartável de Fundições (ADF), que na obra passa a ser denominada Contaminante Industrial de Fundições (CIF).
A publicação questiona a ideia de que esse material possa ser considerado simplesmente um resíduo inofensivo ou um subproduto passível de reaproveitamento. Sustento que o CIF pode carregar sílica cristalina respirável, metais pesados, benzeno, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e outros compostos, associados a riscos à saúde e à contaminação do solo, da água e do ar.
Mais do que apresentar informações técnicas, “Areias Mortais” acompanha o caminho percorrido pelo contaminante: da indústria para o território, do solo para a água, do ar para os pulmões e dos discursos de sustentabilidade para as consequências vividas pelas comunidades. A obra aborda ainda investigações jornalísticas, denúncias ambientais, fiscalização, decisões políticas, mudanças na legislação e os conflitos enfrentados por quem tenta revelar esse processo.
Uma investigação que começou em Joinville
A história contada no livro tem uma forte ligação com Joinville. Foi na cidade que criei, em 1991, o jornal comunitário O Vizinho, publicação que chegou a distribuir gratuitamente 100 mil exemplares, de porta em porta, pelos bairros do município, tendo entre suas principais pautas os temas socioambientais e, especialmente, os resíduos provenientes das fundições.
A partir dessas reportagens, passei a acompanhar denúncias relacionadas à utilização do material em terrenos, manguezais, ruas, praças e pátios de escolas. O livro recupera parte dessa trajetória e mostra como o jornalismo comunitário se transformou em uma longa investigação ambiental.
Defino essa trajetória como o momento em que “a pauta virou missão: investigar e denunciar”. A investigação atravessou décadas e envolveu denúncias, fontes, documentos, processos e enfrentamentos institucionais.
Entre jornalismo, meio ambiente e saúde
“Areias Mortais” não se limita à questão ambiental. A obra estabelece uma relação entre contaminação, saúde pública, território e responsabilidade. Ao longo dos capítulos, são discutidos os componentes do CIF, os possíveis efeitos da exposição prolongada, a classificação do material como “inerte”, o processo de flexibilização da legislação e as consequências da transferência do passivo ambiental para comunidades e futuras gerações.
O livro também aborda episódios concretos investigados pelo autor, incluindo denúncias de descarte irregular em diversos territórios e a atuação de organizações e órgãos públicos na apuração desses casos.
A questão central não está apenas na existência do resíduo, mas na maneira como a sociedade escolhe tratá-lo. A obra questiona o processo pelo qual um rejeito industrial pode ser transformado, por meio de classificações técnicas, decisões administrativas e alterações legislativas, em material considerado adequado para diferentes formas de utilização.
Um autor com décadas de atuação ambiental
Nasci em Itajaí e moro em Joinville desde 1977. Atuo há décadas nas áreas de comunicação, jornalismo investigativo, educação ambiental e sustentabilidade. Sou jornalista, pós-graduado em Educação Ambiental, ambientalista e associado fundador do Instituto Viva Cidade. Também atuo no Observatório Ambiental, organização voltada à investigação e denúncia de irregularidades e crimes ambientais.
Minha trajetória inclui a criação do jornal O Vizinho, a atuação em organizações ambientais, participação em iniciativas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e investigações de crimes ambientais. Em 2012, recebi o título de Parceiro da Paz e Sustentabilidade, concedido pela International Global Water Coalition, e, em 2026, fui homenageado com a Medalha de Mérito “Amigo do Meio Ambiente” pela Câmara de Vereadores de Joinville.
“Areias Mortais” é meu segundo livro individual e dá continuidade à investigação iniciada em “O Gigante Acuado”, publicação que registrou a experiência do jornalismo comunitário e as denúncias relacionadas à utilização de resíduos de fundição em Joinville.
Um lançamento para provocar reflexão e ampliar acesso público
A escolha da Biblioteca Pública de Joinville para o lançamento reforça a dimensão pública da obra. Afinal, trata-se de uma história que nasce na cidade, acompanha transformações do território e coloca em debate questões que ultrapassam os limites da indústria: que tipo de desenvolvimento queremos? Quem assume os custos da poluição? E o que acontece quando aquilo que deveria ser tratado como passivo ambiental passa a ser apresentado como solução sustentável?
“Areias Mortais” não encerra a investigação: ele a amplia. E transforma décadas de apuração jornalística em um registro para a sociedade, para as comunidades afetadas e para as futuras gerações.
Por essa razão, estou priorizando a distribuição gratuita da obra em espaços públicos, como bibliotecas, escolas, universidades, centros culturais e instituições de pesquisa, em vez de restringir seu acesso à comercialização convencional.
A opção tem uma razão essencial: uma investigação sobre questões ambientais de interesse coletivo não deve chegar apenas a quem pode pagar por ela. A distribuição gratuita amplia o alcance social do livro, permite que estudantes, professores, pesquisadores, jornalistas e comunidades tenham contato direto com as informações reunidas ao longo de décadas e contribui para que o debate ultrapasse os círculos especializados.
Bibliotecas e escolas ocupam papel estratégico nesse processo. São espaços de formação, conhecimento e construção de pensamento crítico. Ao disponibilizar a obra gratuitamente nesses ambientes, cria-se a possibilidade de que ela seja lida, compartilhada, debatida em sala de aula, utilizada em pesquisas e incorporada a atividades de educação ambiental e cidadania.
Há também uma dimensão simbólica nessa escolha. “Areias Mortais” nasceu de uma investigação jornalística sobre fatos que dizem respeito à sociedade; portanto, seu retorno à sociedade, por meio de espaços públicos de acesso gratuito, fecha um ciclo de compromisso com a informação e o interesse coletivo.
Mais do que entregar exemplares, a proposta é colocar conhecimento em circulação. É fazer com que uma investigação que poderia permanecer restrita às páginas de um livro alcance novos leitores e gere novas perguntas, pesquisas, debates e atitudes.
A distribuição gratuita, portanto, não representa apenas uma estratégia de difusão. É uma escolha editorial e social coerente com a própria essência da obra: se os impactos ambientais são coletivos, o acesso à informação que ajuda a compreendê-los também deve ser o mais amplo e democrático possível.
Lançamento de “Areias Mortais – Um crime silencioso contra vidas e territórios”
Autor: Altamir A. Andrade
Local: Biblioteca Pública de Joinville – Rua Comte. Eugênio Lepper, 60 – Centro – Joinville, SC
Data: 08/09/2026
Horário: 11h
Entrada: Gratuita e aberta ao público
A publicação tem 192 páginas, formato 14 x 21 cm, e ISBN 978-65-978621-1-5. A edição é da Ipê Produções.
Contato para imprensa e informações:
Altamir A. Andrade
E-mail: altamir@andrade.jor.br
Telefone/WhatsApp: (47) 999.846.244
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