domingo, 24 de fevereiro de 2013

IPI zero para bicicletas, suas partes e acessórios

Participantes do Segundo Fórum Mundial da Bicicleta, realizado no período de 21 a 24 de fevereiro de 2013, comemoram que o deputado federal Rogério Peninha Mendonça tenha, às vésperas do evento, 20, apresentado o Projeto de Lei 4997/13, que pretende fixar em 0% a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente sobre as bicicletas, suas partes e acessórios. A proposta, elaborada desde o fim do ano passado, aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara para começar a tramitar.

Massa Crítica reuniu mais de 1600 participantes e foi uma das atrações do evento mundial


Veja o vídeo da concentração da Massa Crítica:

Para o autor do Projeto de Lei (PL), a justificativa se estende desde os benefícios à saúde do ciclista, até as facilidades para locomoção em grandes centros, inchados pelo excesso de automóveis. “O deslocamento moroso e estressante, ocasionado pelos congestionamentos; a poluição ao meio ambiente que os veículos automotores causam; o bom condicionamento físico que a bicicleta proporciona para quem pedala: estas são algumas das muitas razões que embasam a proposta”, explicou Peninha. 
De acordo com o deputado, a diminuição da carga tributária influenciará diretamente no preço final repassado ao consumidor. “E com o aumento das vendas, a indústria nacional acaba se fortalecendo”, complementou ele.
Acompanhe a tramitação.

Além da minha participação, o FMB, trouxe palestrantes nacionais e internacionais. Seguem imagens de palestrantes, plateias etc...
Contribuí com a oficina "Uma criatura menos destrutiva"

A psicóloga Simone Regina de Melo Russo e o biólogo Ricardo Romero,
do movimento Pedala Manaus, apresentaram a
"Quinta Coletiva - transformando pessoas em ciclistas em Manaus" 

Mario Reginaldo veio com o "Pedal Cultural, importância e experiências"
de Recife, Pernambuco

Leandro Karan, do Pedal Curticeira, de Pelotas (RS), apresentou
"Pedaladas abertas ao público - do lazer ao compromisso social".


As inovadoras Talita Noguchi e...


...Aline Cavalcanti relataram "As oportunidades de negócios geradas pelas bicicletas: 
o caso LasMagrelas e oGangorra, de São Paulo, SP


O filósofo Goura Nataraj do CicloIguaçu (PR) trouxe à reflexão 
"O urbanismo de Protágoras ou o Corpo Urbano em Deslocamento"


O painel "Pedalar para Transformar", realizado no Teatro Bruno Kiefer, também na CCMQ (Casa de Cultura Mário Quintana), reuniu quatro especialistas internacionais:
Caroline Samponaro, da Transportation Alternatives, Nova Iorque, EUA

Mona Caron, artista plástica e cicloativista de San Francisco, EUA

Dra. Amarilis Horta Tricallotis, diretora do Centro de Bicicultura de Santiago, Chile

Eduardo Cárdenas, da ONG BiciAcción, Quito/Guayaquil, Equador



Ivo Reck, do Instituto Energia Humana, Curitiba, PR, apresentou a iniciativa em
Morretes de transformar bicicletas sucateadas em geradoras de energia


O evento contou em suas atividades externas com o apoio das brigadas municipais e estadual.
Há que se destacar a solicitude dos cicloativistas que voluntariosamente chamaram para si a realização e organização do evento.
Apesar de terem sido exceções, lamentar alguns poucos participantes que reclamaram e ou postaram nas redes sociais comentários negativos quanto à organização. Ora! Trata-se de um evento consolidado no voluntariado. Criticar apenas negativamente, apontar falhas é da mediocridade humana. Assumir responsabilidades para ajudar e fazer o melhor que se pode fazer é iniciativa de poucos. À estes, a todos da organização, meus agradecimentos e parabéns, pela primorosa organização do Segundo Fórum Mundial da Bicicleta.

Leia mais sobre o tema:
Di, Dá Dó no Fórum Mundial da Bicicleta
Deputado catarinense Mariani quer manual para ciclistas
Vicie-se, por favor

Outras postagens sobre o Rio Grande do Sul:
A mais bela rua do mundo
Sarau dos mortos
Existem três tipos de palhaços
Sobre anjos e grilos
Prazer com álcool
Tirar a roupa é apenas um detalhe
Pôr do sol a partir de Mário Quintana

Mais de 1600 ciclistas invadem ruas de Porto Alegre

Massa Crítica do Segundo Fórum Mundial da Bicicleta, reuniu, no Largo do Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre, RS, mais de 1.600 participantes que percorreram várias ruas e avenidas da capital gaúcha em percurso de três horas no início da noite de 22 de fevereiro de 2013.
Concentração de ciclistas no Largo Zumbi dos Palmares

Um encontro emocionante e marcado pela união, bom humor, cidadania e conscientização política e ambiental. Assim senti a Massa Crítica do Segundo Fórum Mundial da Bicicleta (FMB).
O vídeo, abaixo, registra quase seis minutos de um fluxo de aproximadamente duas mil bicicletas que participaram do evento conduzidas por cicloativistas, principalmente.

Em 25 de fevereiro de 2011, no mesmo evento, um motorista invadiu a pista por onde transitava o pequeno grupo da Massa Crítica resultando em mais de uma dezena de feridos e uma morte.
O episódio ganhou repercussão mundial demonstrando a insanidade, a atitude criminosa do motorista e o desespero dos frágeis ciclistas vítimas de tão poderosa arma sobre quatro rodas.

Desde então, a Massa Crítica de Porto Alegre vem crescendo e o FMB é também um momento de reflexão daquele triste episódio histórico que muitos preferiam esquecer, mas que não o devem, para que o mesmo não se repita, jamais.
As oficinas, palestras e debates aconteceram na Casa de Cultura Mário Quintana que teve seu corredor transformado num estacionamento de bikes no período de 21 a 24 de fevereiro.
Corredor da Casa de Cultura Mário Quintana

No dia 22, o ambiente cultural teve a inauguração oficial do acesso público gratuito à internet. Para acessar é só digitar "visitante" e a senha "ccmq".
Autoridades comemoram a entrega de acesso a internet livre à populacão na CCMQ

Durante todo o FMB, esse investimento público foi exaustivamente usado pelas centenas de participantes do evento permitindo inclusive que oficineiros e palestrantes pudessem ilustrar e enriquecer suas apresentações.

Mais postagens sobre o tema: 
Di, Dá Dó no Fórum Mundial da Bicicleta
Deputado catarinense Mariani quer manual para ciclistas
Deputado Peninha, de Santa Catarina, quer IPI zero para bicicletas

Outras postagens sobre o Rio Grande do Sul:
A mais bela rua do mundo
Sarau dos mortos
Existem três tipos de palhaços
Sobre anjos e grilos
Prazer com álcool
Tirar a roupa é apenas um detalhe
Pôr do sol a partir de Mário Quintana

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Di Dá Dó, no Fórum Mundial da Bicicleta

Já fiz um post sobre palhaços. Estes, da foto abaixo, fazem parte de um daqueles três grupos. A Bandinha Di Dá Dó é contagiante, divertida com seu clown music. Que "Quarteto Fantástico"! 


Foi assim o encerramento do primeiro dia do Segundo Fórum Mundial da Bicicleta, em 21 de fevereiro de 2013, em Porto Alegre, RS.
Acompanhei algumas oficinas e fiz alguns registros fotográficos que ilustram essa postagem.
Gentileza ao Pedalar contou com a participação de quatro painelistas que optaram por uma "conversa" com a plateia ricamente participativa.

Henrique Weyne, Renato Pecoitz, Alex Magnum e Letícia Cecagno

O foco da discussão, a paz no trânsito. Renato Pecoitz, que pedala desde os quatro anos de idade, não tem dúvidas. "Quando o egoísmo impera, as coisas começam a dar errado". E esse é um dos mais sintomáticos problemas da "guerra" no trânsito. Cada motorista se sente dono de toda a infraestrutura viária; que ele tem todas as preferências, mesmo na irracional competição egoísta com outros motoristas. Na relação com as bicicletas, essa competição sempre deixa o frágil ciclista em desvantagem.
No fim do dia, público foi atraído pela alegria da Bandinha Di Dá Dó

Para Pecoitz, os ciclistas precisam deixar de olhar os automóveis como se eles fossem "seres vivos". "Devemos olhar nos olhos dos motoristas e menos para os carros".
Pecoitz, que tem parte da perna direita amputada por conta de um acidente com motocicleta, diz que as bicicletas estão conquistando cada vez mais espaços e os ciclistas, respeito. Ele recomendou aos presentes que os cicloativistas devem defender um "sistema cicloviário" nos seus municípios, e não apenas "algumas ciclovias ou ciclofaixas isoladas".
Tendo a bicicleta como seu veículo de locomoção com média de 28 km/dia de pedalada, Renato Pecoitz comemora que empresas já começam a construir bicicletários e banheiros com chuveiros e armários para seus empregados. Essa é uma tendência irreversível e muitos comércios, shoppings, bancos já perdem clientes por não oferecerem bicicletários em locais seguros e higiênicos.
Mezanino da Casa da Cultura Mário Quintana lotou
para o debater a falta de gentileza no trânsito

Alex Magnum é mensageiro há um ano. O bike boy surpreendeu a plateia ao afirmar que as mulheres motoristas são mais agressivas com os ciclistas no trânsito. "Elas me xingam muito mais, me encaram, me enfrentam, me hostilizam mais que os homens".
Motoristas de ônibus são mais gentis com ele que os motoboys e os taxistas. "Raramente tenho problemas com ônibus, já com taxistas motoboys é mais comum  enfrentamentos de muita agressividade".
Letícia Cecagno é uma cicloativista que organiza e participa de eventos para a conscientização da paz no trânsito. Ano passado atuou com o projeto "Bicicleta é amor". No dia 23, próximo sábado, da "Pedalada Cantante". "A gente recebe de volta o que entrega", diz, afirmando que o ciclista precisa ser mais gentil com pedestres e motoristas. É a óbvia lei da ação e reação tão desconhecida da maioria da humanidade!
Ela também chamou a atenção para outra reação em favor dos ciclistas. "Quando estamos usando equipamentos de proteção como capacetes e sinalizadores, os motoristas nos respeitam mais". O mesmo afirma Henrique Weyne, que é técnico em segurança do trabalho. Segundo ele, depois da Primeira Massa Crítica houve um crescimento muito grande de mobilizações em favor dos ciclistas que têm resultado em ambientes cada vez menos hostis às bicicletas.
A plateia foi ativa com alguns depoimentos oportunos ao evento, sendo que um dos interventores lembrou que Porto Alegre segue a regra das cidades brasileiras, "é uma cidade para os carros, portanto, para uma minoria - os que têm carro -, logo, não é uma cidade democrática".
Noutra oficina, apresentada por Renato Zerbinato, do Ciclobservatório - Observatório Nacional da Mobilidade por Bicicleta, o brasiliense disse que entre os objetivos da organização está elaborar metodologia de avaliação da qualidade da mobilidade ciclística urbana. "Queremos envolver os ciclistas no processo de avaliação e monitoramento e publicar as informações em meios eletrônicos gratuitos".
Outro objetivo destacado por Zerbinato é a criação e atualização de um banco de dados sobre as políticas públicas e sobre as estruturas cicloviárias visando contribuir para a segurança dos ciclistas e para o encorajamento de novos usuários.
Com o tema "O século XX e a Formação das (So)ci(e)dades Automotivas: fundamentos históricos das resistências ao transporte ativo", o mestre em antropologia Thomás Antonio Burneiko Meira fez uma apresentação professoral demonstrando os enormes desafios de ciclistas pedalarem em cenários concebidos para carros.
O evento, bem organizado, consolidado no voluntariado, é uma iniciativa que tende ao crescimento, pois oportuniza à sociedade e, principalmente, aos governantes, disponibilidade de grande diversidade de saberes, teóricos e práticos, em favor da bicicleta e dos seus usuários.
No dia 23, às 11h, será minha vez com a oficina "Um ser menos destrutivo".
Outras postagens sobre este tema:
Deputado catarinense quer manual para ciclistas
Vicie-se, por favor

Agora, mais algumas imagens do evento e suas atrações culturais:











quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Deputado catarinense quer manual para ciclistas

A postagem anterior finalizei com a notícia da iniciativa do deputado federal catarinense Rogério Peninha Mendonça (PMDB). Ele apresentou ao Congresso um projeto de lei para isentar em 0% de IPI a fabricação de bicicletas, suas partes e acessórios.
Outro Projeto, também de deputado federal catarinense, Mauro Mariani (PMDB) quer obrigar fornecimento de manual para ciclistas. "Mais segurança e consciência para os ciclistas no trânsito". Este é o objetivo de Mariani com seu Projeto de Lei 1493/2011, protocolado na Câmara dos Deputados que obriga os importadores e fabricantes de bicicletas a fornecer, no ato da comercialização do veículo, manual contendo as normas de circulação, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e informações do Código de Trânsito Brasileiro. "A bicicleta pode ser um meio alternativo no dia a dia de quem enfrenta o trânsito, principalmente nas grandes cidades, além de propiciar uma prática saudável", defende o deputado.
Os ciclistas constituem uma ponderável categoria de condutores de veículo no Brasil, porém, é também uma das mais vulneráveis à acidentes. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece normas específicas para a circulação de bicicletas com infrações e penalidades referentes aos seus condutores. No entanto, não há nenhum registro para esse tipo de veículo que circula sem maiores exigências e disputa as vias com outros meios de transporte em total desvantagem.
“O projeto não acabará com a violência no trânsito, mas poderá amenizar significativamente as ocorrências na medida em que o ciclista saberá as normas de educação e segurança de trânsito. Não surpreende que eles sofram tantos acidentes, devido ao pouco conhecimento das regras de condução e à fragilidade do veículo”, explica Mauro Mariani.
O Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 338, determina que as montadoras, encarroçadoras, os importadores e fabricantes de veículos automotores e ciclos são obrigados a fornecer, no ato da comercialização, manual contendo normas de circulação, infrações, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e anexos do Código.
Esta determinação não é estendida aos que comercializam bicicletas. Segundo Mauro Mariani, “isso deve mudar, afinal, qualquer pessoa pode conduzir uma bicicleta, sem exigência de teste de aptidão ou idade mínima”. O PL 1493/2011 é de caráter conclusivo pelas Comissões, ou seja, se aprovado com mesmo parecer em todas, não necessita ser apreciado em Plenário. O projeto deverá passar pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Viação e Transportes e Constituição e Justiça e de Cidadania.
A iniciativa do deputado é louvável, pois deve ser irreversível a cada vez maior adesão à bicicleta como veículo de locomoção individual. Ciclistas desavisados podem ocupar os hospitais com as vagas que serão deixadas pelos motoristas vítimas das doenças que o trânsito causa.
As doenças que o trânsito causa
Os congestionamentos causados por medidas econômicas enraizadas no culto ao transporte individual matam – é o que garantem especialistas em saúde e meio ambiente. 
Câncer de pulmão, enfarte do miocárdio, crises agudas de asma e conjuntivite são algumas das doenças adquiridas por quem fica muito tempo no trânsito. A constatação faz parte do estudo de Paulo Saldiva, médico e professor da Universidade de São Paulo (USP), que também dá conta de que sete mil pessoas morrem de complicações ocasionadas pela poluição do tráfego, por ano, na capital paulista. 
Saldiva alerta para as doenças silenciosas trazidas pelos congestionamentos e lastima que os usuários do transporte individual percam quatro horas do seu dia no trânsito, ainda que reconheça que as alternativas de transporte não são tão bem vindas. “Eu uso bicicleta, mas o problema é que a cidade não é amigável para essa e outras formas de transporte”, denuncia. 
Saldiva falou, também, dos prejuízos causados pelo inchaço na frota de transportes individuais e problemas na oferta de transporte coletivo. “O índice de poluição vem caindo, mas não podemos nos enganar. O veículo de hoje emite muito menos poluentes”, afirma, mas acrescenta que “o problema é que a tecnologia está chegando ao limite e a condição de mobilidade é muito ruim. Em São Paulo, essa melhora deixou de ser eficiente já em 2005. Nós apostávamos na tecnologia como solução, mas é só analisarmos um carro que existia em 1980 e continua existindo hoje, como o Gol”.
A opinião de Saldiva é compartilhada pelo especialista em trânsito e diretor da Perkons, José Mario de Andrade. “Não há mais tempo para discutir, é preciso agir e lançar mão de medidas restritivas como uma alternativa. É ilusão imaginar que a maioria vá abrir mão do seu carro por um bem maior sem nenhum tipo de estímulo. Porém, só a tecnologia não dá conta. Ao mesmo tempo, é preciso boa vontade dos governos com relação ao investimento em transportes coletivos de qualidade. Inclusive essas medidas restritivas, que oneram o transporte individual, precisam ser revertidas no coletivo”, diz Andrade. 

Trânsito, meio ambiente e saúde
São Paulo tem 7 milhões de carros, com 11 milhões de habitantes. Os dados e o exemplo da capital paulistana são utilizados por Estanislau Maria, coordenador de conteúdo do Instituto Akatu, que trabalha em projetos voltados ao consumo consciente, para explicar que “nas metrópoles, o principal gerador de gases de Efeito Estufa é o trânsito e, depois, o lixo.” 
Estanislau afirma que é preciso voltar no tempo para compreender a cultura do carro no país. “Desde os anos 50, o brasileiro prioriza o transporte motorizado e individual. Sucateamos nossas ferrovias e não temos navegação de cabotagem no Brasil. Ou seja, usamos estradas, ao invés de explorar o potencial pluvial”, analisa.
Para o médico Paulo Saldiva será preciso mais que educação para reverter essa cultura. “O que vai funcionar para o trânsito é o caos, e não só as campanhas educativas. Eu vejo muito mais motoristas mudando o comportamento depois de passarem pela UTI. Sinceramente, o único programa de reciclagem que funciona em São Paulo é o de transplante de órgãos”, diz.
No contexto mais amplo dessa fotografia está a relação entre meio ambiente e saúde. É evidente a queda da qualidade de vida nos centros urbanos, a poluição do ar, os níveis de tensão aumentando a pressão arterial, entre outros sintomas. Mas essas paisagens quase imperceptíveis ficam mais claras quando é constatado que o trânsito, hoje, é a segunda maior fonte de poluição do meio ambiente brasileiro, só ficando atrás do desmatamento da Amazônia.
Sobre a opção pelo uso do carro ou moto, Estanislau explica que a população já sofre as consequências dessa escolha. “Já estamos sofrendo as consequências. Invernos e verões cada vez mais rigorosos, o que influencia a produção dos alimentos, e assim por diante. É o conceito de interdependência: cada carro que entra em circulação gera o impacto no cenário amplo”, explica. 
SP é o maior estacionamento a céu aberto da América Latina 

A interdependência, segundo Estanislau, vai muito além dos problemas visíveis. O especialista diz que o aquecimento da economia e o estímulo do governo na compra de carros populares têm uma grande parcela de responsabilidade na questão. “Quem planeja comprar um carro não quer ouvir argumentação sobre os impactos ao meio ambiente. ‘Quer dizer que agora que chegou a minha vez e vocês estão dizendo que eu não posso comprar carro?! É, de fato ilógico”, afirma. “A situação fica mais crítica quando analisamos os dados da FGV de que o governo incluiu 3,6 milhões de pessoas na classe C entre 2010 e 2011”, esclarece. 
Quando questionado sobre o resultado desta equação, Estanislau é categórico. “Vamos ficar parados no meio das ruas, se não investirmos em transporte público. Mas isso depende de política pública. Não há alternativa. Todas as medidas de sustentabilidade não são apenas morais. Perdemos vidas, tempo e produção, além da disputa do espaço público. Quanto mais carros, maior a demanda da construção das vias, que gera o caos urbano. É tudo um grande bumerangue”, finaliza. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Vicie-se, por favor

Já escrevi neste blog minha defesa à descriminalização da maconha. Agora, escrevo para incentivar ao vício.
Não ao fumo, seja ele de que tipo for! Nem a qualquer bebida alcoólica. Estes, estão no conjunto do que aconselho ao consumo prazeroso...
Sou jornalista, por profissão. Ambientalista, por vocação. Ciclista por convicção.
Em outubro de 2012 postei a respeito de uma das decisões tomadas mais importantes da minha vida, a qual, provavelmente, avalizou minha participação no Segundo Fórum Mundial da Bicicleta como um dos painelistas.


Será no sábado, 23 de fevereiro de 2013, às 11h, na sala B2 da Casa de Cultura Mário Quintana, à Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico de Porto Alegre. Veja a programação completa.

Não é novidade. A prática de atividade esportiva e/ou física, qualquer que seja, melhora a autoestima, o humor, diminui a ansiedade, aparência, depressão e, em alguns praticantes, provoca um aumento do estado de euforia. É esse estado que leva alguns ao vício do exercício, da pedalada... Vicie-se, por favor! Ou pelo menos, tente.
O exercício provoca alterações cerebrais que liberam algumas substâncias como as euforizantes endorfinas e a serotonina, relacionada com a ação de bem-estar, com os processos de humor, ansiedade e sono.
Com os devidos cuidados, para não se machucar nem se exceder, esse conjunto de benefícios pode ser um dos motivadores pelo qual o exercício, a prática esportiva, se tornam tão importantes para muita gente.
A bicicleta, incorporada ao dia-a-dia como principal veículo de locomoção, aproxima o indivíduo desse conjunto que, no fim, culmina em melhoria na qualidade de vida do praticante e da comunidade onde está inserido.

Segundo dados do livro "Apocalipse motorizado - A tirania do automóvel em um planeta poluído":
√ Onde se estaciona um automóvel cabem 18 bicicletas
√ Para sair do estacionamento de um estádio, dez mil pessoas em bicicletas necessitam da terça parte do tempo que necessita o mesmo número que pega ônibus


Há quem defenda - sou um deles -, que "um país pode ser classificado como subequipado quando não pode dotar cada cidadão de uma bicicleta ou prover um câmbio de cinco marchas a qualquer um que deseje pedalar carregando outra pessoa".
Há muitas teorias sobre a transformação que sofre o homem ao por a bunda no assento embaixo de um volante num automóvel. Infelizmente, não há como negar essa transformacão, frequentemente, para pior. Constatamos essa mudança em criaturas habitualmente calmas, pacíficas. Veja como ela reage quando está ao volante, num engarrafamento!
Fica irreconhecível. Violenta, impaciente. Tranforma-se numa fera...
Protagonizei algumas destas cenas. Me envergonho de pouca coisa nessa vida. Destes momentos, de todos!
Decidi, apesar de todos os estímulos, viver sem veículos motorizados, sem automóveis, principalmente.
Ao não adquirir um para mim, estou deixando de contribuir com uma degradação ambiental espantosa.
Ainda segundo o "Apocalipse motorizado" já citado, a produção de um carro de tamanho médio, com catalisador de três vias, dirigido por 130.000 km durante dez anos, gastando em média 10 litros/100 km de combustível sem chumbo produz 60% de toda a sua poluição:


√ Extração de matérias-primas: 26,5 toneladas de dejetos e 922 milhões de metros cúbicos de ar poluído
√ Transporte de matérias-primas: 12 litros de petróleo bruto no oceano e 425 milhões de metros cúbicos de ar poluído
√ Produção do carro: 1,5 tonelada de dejetos e 74 milhões de metros cúbicos de ar poluído
√ Uso do carro: 18,4 quilos de dejetos abrasivos e 1,017 bilhão de metros cúbicos de ar poluído
√ Descarte do carro: 102 milhões de metros cúbicos de ar poluído


“Pedalar para transformar”. É com este mote que Porto Alegre vai sediar pela segunda vez o Fórum Mundial da Bicicleta, entre os dias 21 e 24 de fevereiro de 2013.
A proposta do evento é debater sobre o uso da bicicleta sob diversos aspectos: mobilidade urbana sustentável, integração comunitária, bem-estar pessoal e social, etc, através de painéis de discussão formados por convidados nacionais e internacionais que fazem a diferença em suas áreas de atuação e vão expor ideias e experiências de forma acessível a todos que quiserem participar. O Fórum ainda prevê oficinas autogestionadas, programação cultural paralela com exposições, exibição de vídeos e apresentações artísticas, e, no dia 22 de fevereiro, participação na tradicional bicicletada da Massa Crítica Porto Alegre. Toda a programação do evento será gratuita.

Participo pela primeira vez, lisonjeado, como painelista, com o tema "Uma criatura menos destrutiva - Relato da experiência de vida de jornalista catarinense que já foi dependente de automóveis e chegou a ter cinco veículos motorizados em sua garagem. Desde 2007 planejou um novo modo de viver e, ao completar 50 anos, começou a colocar em prática uma existência com prioridade para a bicicleta como veículo de locomoção.
Para tanto, obrigou-se a mudar praticamente tudo em sua vida. A empresa sofreu um processo de descentralização física e administrativa e o seu viver profissional e pessoal vem num constante crescimento de qualidade de vida".

Mas, antes e depois da minha apresentação, estarei assistindo e ouvindo outros ciclo ativistas.

Bicicletas feitas de carros velhos abandonados


Israelense cria bicicleta de papelão reciclado com custo de até R$ 24
Um isralense criou uma bibicleta feita de papelão reciclado, resistente à água e que aguenta até 220 quilos. Veja o vídeo logo abaixo.

Criado por Izhar Gafni, o invento, chamado de “Cardboard Bicycle Project”, tem preço de produção entre US$ 9 e US$ 12, segundo o site da ERB, uma empresa de negócios sustentáveis que é parceira do protótipo.
No Brasil, o custo aproximado ficaria entre R$ 18 e R$ 24. O veículo montado por Gafni visa ser “verde”, isto é, seguir conceitos ecológicos desde o primeiro estágio de montagem até a fase final de produção.
A bicicleta também é resistente à umidade e revestida com um tipo de tinta, de maneira que sua aparência lembra a de um veículo feito de material plástico duro, segundo informações do site da ERB.
O projeto começou há três anos, de acordo com o inventor. Ele passou os dois primeiros anos aprendendo as propriedades do papelão, fazendo cálculos e análises, até ter certeza de que daria certo.
O grande desafio foi criar um novo “know how” envolvendo o papelão, disse o israelense ao site da ERB. Ele afirmou ter aprendido que “nada é impossível”. No início do projeto, ele relatou ter sido desencorajado a levar a ideia adiante por engenheiros.
Os próximos passos do israelense são produzir e distribuir a bicicleta de papelão no mercado mundial. Ele espera vendê-las a partir do próximo ano.
Os preços podem variar de US$ 60 a US$ 90 no mercado, se os clientes quiserem acrescentar motor elétrico mudar outros componentes na bicicleta.
Em reais, o preço do veículo teria variação de R$ 121 a R$ 182, aproximadamente. (Fonte: Globo Natureza)


Bicicletas feitas de embalagens PET
Projeto sustentável usa garrafas plásticas para construir estrutura do veículo. Preços variam de R$ 250 a R$ 3.000.

Bicicletas feitas de bambu
A ideia da bicicleta de bambu já existe desde o final do século XIX. Atualmente, há projetos de fabricação com focos sociais em outros países como a África e Ásia. Testes já provaram a viabilidade de vários tipos de bicicleta de bambu.
A construção de bicicletas de bambu com materiais renováveis e reutilizáveis evita a utilização de matérias-primas de alto poder poluente. Com a reutilização dos produtos que anteriormente passaram por um processo de industrialização, evita-se ou minimiza-se a poluição do meio ambiente, por meio da reciclagem de tais materiais.


Você sabia...
Que a Constituição Federal, o Código de Trânsito Brasileiro e a Lei 12.587 - Política Nacional de Mobilidade Urbana, priorizam modos de transportes não motorizados sobre os motorizados?
O que diz o Código de Trânsito Brasileiro:
Clique aqui para acessar o Código completo
"Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.
Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa. 
Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios."

Política Nacional de Mobilidade Urbana:
Clique aqui para acessar a Lei completa
Art. 23
Os entes federativos poderão utilizar, dentre outros instrumentos de gestão do sistema de transporte e da mobilidade urbana, os seguintes:
I - restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados;
II - estipulação de padrões de emissão de poluentes para locais e horários determinados, podendo condicionar o acesso e a circulação aos espaços urbanos sob controle;
III - aplicação de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade, vinculando-se a receita à aplicação exclusiva em infraestrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público, na forma da lei;
IV - dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas para os serviços de transporte público coletivo e modos de transporte não motorizados;
§ 2o - Nos Municípios sem sistema de transporte público coletivo ou individual, o Plano de Mobilidade Urbana deverá ter o foco no transporte não motorizado e no planejamento da infraestrutura urbana destinada aos deslocamentos a pé e por bicicleta, de acordo com a legislação vigente.
§ 4o - Os Municípios que não tenham elaborado o Plano de Mobilidade Urbana na data de promulgação desta Lei terão o prazo máximo de 3 (três) anos de sua vigência para elaborá-lo. Findo o prazo, ficam impedidos de receber recursos orçamentários federais destinados à mobilidade urbana até que atendam à exigência desta Lei.


Deputado catarinense quer IPI zero para bicicletas
O Projeto de Lei 4997/13, apresentado neste mês de fevereiro pelo deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB) fixa em 0% a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente sobre as bicicletas, suas partes e acessórios. A proposta, elaborada desde o fim do ano passado, aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara para começar a tramitar.
Para o autor do projeto, a justificativa se estende desde os benefícios à saúde do ciclista, até as facilidades para locomoção em grandes centros, inchados pelo excesso de automóveis. “O deslocamento moroso e estressante, ocasionado pelos congestionamentos; a poluição ao meio ambiente que os veículos automotores causam; o bom condicionamento físico que a bicicleta proporciona para quem pedala: estas são algumas das muitas razões que embasam a proposta”, explicou Peninha.
De acordo com o deputado, a diminuição da carga tributária influenciará diretamente no preço final repassado ao consumidor. “E com o aumento das vendas, a indústria nacional acaba se fortalecendo”, complementou ele.
Acompanhe a tramitação.


Outras postagens sobre o Rio Grande do Sul:
A mais bela rua do mundo
Sarau dos mortos
Existem três tipos de palhaços
Sobre anjos e grilos
Prazer com álcool
Tirar a roupa é apenas um detalhe
Pôr do sol a partir de Mário Quintana

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Silas Malafaia X Eli Vieira

Tenho medo das igrejas, das religiões, das seitas que têm líderes que são ou que estão muito próximos de serem fundamentalistas. As maiores carnificinas da história da humanidade foram promovidas por estas. Que o diga a "Santa Inquisição".
Vou começar de traz pra frente e sugerir que você assista esse vídeo resposta do biólogo e humanista Eli Vieira ao homofóbico pastor Silas Malafaia.

Agora, sugiro que você veja, na íntegra, o vídeo 'Silas Malafaia de frente com Gabi'. Imperdível.

Eli Vieira é ex-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil que está no facebook desde 2009 (http://www.facebook.com/bulevoador.com.br).
Em nossos jornais temos publicado matérias sobre o preconceito contra a homossexualidade. A edição 55 do JOI (Jornal O Joinvilense) de julho de 2012 tem uma destas abordagens. O JOV (Jornal O Vizinho) edição 782, o JOG (Jornal O Garuvense) edição 058 e o JOA (Jornal O Araquariense) edição 013 também destacaram o tema nas suas capas.

Dois meses antes, a comissão de juristas que discute a reforma do Código Penal no Senado aprovou a proposta que criminaliza o preconceito contra gays, transexuais e transgêneros. O texto ainda precisa ser votado pelo Congresso e a bancada evangélica vai fazer o "diabo" para não aprová-lo.
Os números são de guerra. A cada intervalo de 28 horas um homossexual é assassinado no Brasil. Numa sociedade onde prolifera a ignorância, discursos convincentes como os de Malafaia são combustível de primeira para reações homofóbicas de natureza violenta.
Se Marília Gabriela já o deixou encurralado durante a entrevista, a resposta do geneticista Eli Vieira é devastadora contra a posição preconceituosa e homofóbica do milionário pastor que foi denunciado pela Revista Forbes como um dos mais ricos do país. Na investigação o periódico norteamericano apontou os cinco ministros (pastores) mais ricos:

√ Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus ($ 950 milhões)
√ Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus ($ 200 milhões)
√ Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo ($ 150 milhões)
√ RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus ($ 125 milhões)
√ Casal Estevam Hernandes e Sônia, da Igreja Renascer em Cristo ($ 65 milhões).

Conhecida por listar os maiores bilionários do mundo, a revista Forbes publicou em janeiro a reportagem com os pastores mais ricos do Brasil. O texto também destacou a influência pessoal dos religiosos e o crescimento da igreja evangélica no Brasil, que da década de 70 até os dias de hoje passou de 15.4% para 22.2% da população.

A ex-desembargadora Maria Berenice Dias, Presidenta da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB, gravou para rebater algumas afirmações que Silas Malafaia fez. Ela falou, especialmente, sobre questões ligadas ao PLC 122, a lei anti-homofobia que é tão rejeitada pelo pastor e pela maior parte da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. 

Mais sobre o tema:
Fé zera dívidas e transforma dentes em ouro