segunda-feira, 23 de março de 2009

Bons oradores têm melhores cargos e salários

Ponha-se na cadeira de um grupo de acionistas. O cargo de presidente está vago. Uma entrevista de seleção vai acontecer. Do recrutamento sobraram dois candidatos. Irmãos gêmeos. Estudaram nas mesmas escolas, fizeram os mesmos cursos de especialização, têm os mesmos conhecimentos. Para qual deles será o seu voto? A resposta é óbvia: se os dois estão igualmente qualificados, ficará com a vaga aquele que se comunica melhor!
Lembra-se de quando você estava na escola? Anos depois encontra os colegas que eram os “CDFs”, que tiravam as melhores notas, faziam todos os trabalhos, eram os mais quietinhos e você quase morria de inveja das notas deles. Encontra também aqueles que viviam atrapalhando as aulas e eram campeões em levar broncas dos professores. As notas estavam quase sempre na tangente da reprovação, e exames de segunda chamada eram rotinas nas vidas deles. Até ouvia-se alguns professores compararem-nos com os “CDFs”: “Não vai ser nada na vida!”.
A surpresa: A maioria dos que “dava trabalho” compõem o grupo de empresários, líderes ou executivos bem sucedidos (Não estou falando daqueles que já afloravam sua tendência marginal, mas sim dos contestadores, instigadores e, por conseqüência, faladores). Já a maioria dos quietinhos e queridinhos dos professores, quase todos ocupam posições “menores” nas empresas onde trabalham. Quase sempre os que se comunicam melhor têm as melhores posições, mesmo que não sejam os melhores. E aquela turma da “bagunça” era pródiga na conversa!
O que os empresários mais precisam? Além de profissionais altamente qualificados, cada vez mais se procura gente animada, positiva e ar-ti-cu-la-da. As empresas precisam de empregados e executivos que sejam bons ouvintes nas reuniões e excelentes oradores nas exposições. O mercado crescentemente competitivo necessita de especialistas no enfrentamento de platéias ao redor de mesas e pequenos e grandes auditórios.
Em pouco mais de 30 anos realizando cursos e assessorias às empresas pude verificar que os tímidos são menos competitivos, têm os menores salários, ocupam mais cargos da base da pirâmide. Se o profissional não souber fazer boas exposições orais, tem tudo para perder as posições que conquistou ou apenas manter-se onde está. Emerson já dizia: “A palavra é poder, falar é persuadir, converter, atrair..” A palavra flui nossos sentimentos e raciocínio.

Altamir A. Andrade é jornalista, professor e personal trainer de oratória e membro do Conselho de Presidentes do Clube de Oratória e Liderança de Joinville

Leia mais sobre o tema neste blog:
Escolas de jornalismo não ensinam oratória

Um comentário:

  1. Já te admirava, como amigo, depois passei a te admirar como homem. Hoje te admiro também como profissional e fazedor de milagres. "Parabéns"
    VRR

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