sexta-feira, 12 de junho de 2015

A falência do PT

Nestes anos de governo PT tenho acompanhado uma crescente rejeição pela sigla partidária que me assusta por estar alicerçada principalmente em sentimentos odiosos e reacionários.
Não é difícil entender que o status quo, que há séculos dominou o Brasil, reaja com seus tentáculos enraizados dessa forma no tecido social e que manipule massas, inclusive.
Acredito que não está sendo fácil para o sistema centenário dominado pelas elites aceitar que os trabalhadores tomassem seus espaços de poder e governo.
Nunca fui e não sou petista. Inclusive, na gestão do partido aqui em Joinville fui considerado inimigo público da agremiação por conta de reportagens feitas em meus jornais e também neste blog, como se pode conferir nesta matéria: "As cobras do governo petista de Carlito Merss". No fim desta postagem adiciono outros links com os temas política e administração pública também sobre a atual gestão do peemedebista Udo Döhler.
Mas, a oposição ao governo PT que está no comando do país há 13 anos não tem conseguido fazer seu papel com inteligência. E por isso está cada vez mais desacreditada. Soma-se ainda não ter moral para acusar o PT daquilo que sempre praticou enquanto esteve no poder. A diferença brutal é que agora as maracutaias aparecem e as prisões acontecem.
Todavia, na noite de 11 de junho de 2015 acredito que, pela primeira vez, encontrei uma parcela da sociedade brasileira politizada que faz oposição com inteligência. Aconselho, inclusive, aos oposicionistas disseminadores do ódio que participem dos encontros deste grupo. Há muito o que aprender com eles.

O tema da palestra foi "A falência do PT e a construção de uma frente única de esquerda", feita por um dos fundadores da agremiação partidária e dirigente da Corrente Marxista Internacional. Foi um susto ouvir de Serge Goulart que estamos vivendo uma crise que está para produzir resultados piores que a crise mundial de 1929, que segundo Goulart só se resolveu com a Segunda Guerra Mundial. Fiquei chocado, mas não desacreditei diante de argumentos tão evidentes.
Ele argumenta que atualmente não há possibilidade de essa crise gerar uma guerra porque o capitalismo não está concentrado, mas sim espalhado por todos os países através das empresas com suas multinacionais. Assim como esta crise também está afetando todo o planeta, o que não era o mesmo cenário naquela época.
Ele defende que a superação de crises acontece ou com imensa destruição ou retirada de direitos sociais, que custam dinheiro. Assim, o que se prevê é um desastre para os trabalhadores, pois a crise atual é muito maior que a de 1929, diz o líder marxista.
Foi inusitado, quando comparado com outras eventos políticos e partidários, conferir a diversidade dos participantes em proporções praticamente igualitária de mulheres, homens, idosos, jovens, adultos, brancos, negros...





A condução democrática do evento também foi marcante. Após a apresentação de Goulart, várias lideranças manifestaram-se com interferências complementares ao tema exposto e ou para questionamentos. Um momento de exposição pública através da oratória e que exigiu, de alguns, coragem para o enfrentamento de plateia. Afinal, falar em público é um dos maiores medos humanos da atualidade. Mais da metade da população mundial tem medo de falar em público.
E dos dez maiores medos humanos, enquanto o da morte está em sétimo lugar, o de falar em público, em primeiro.
Mas, a moçada se saiu bem, pois foram falas de suas crenças, de seus entusiasmos, de suas convicções e o valor das mensagens se sobrepunha à técnica.

Este, acima, é o Luiz Gonçalvez Júnior, de Araquari, onde é mais conhecido como "Luizinho do PT". Sua fala foi um momento marcante do encontro; quando ele abriu seu coração para confessar uma intimidade. Disse que se sente, na relação com o PT, partido com o qual inclusive disputou eleição em 2012, tão violentado como quando perdeu sua namorada para um "inimigo".
A confissão arrancou risos generalizados, mas todos o entenderam, pois a grande maioria dos presentes era de membros do PT inconformados com os rumos que o partido tomou desde que assumiu o poder no país.
Lideranças petistas, e que historicamente se posicionaram contra o próprio partido, transitavam com desenvoltura no encontro, entre eles o vereador Adilson Mariano que tem uma identidade de apoio à juventude e também se manteve fiel aos princípios ideológicos.
Coube ao presidente do Sinsej (Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville e região), Ulrich Beathalter, apresentar a revista América Socialista. Trata-se de um periódico com edição no Brasil, Canadá, Québec, Estados Unidos, México, El Salvador, Venezuela, Colômbia, Bolícia, Argentina, República Dominicana. A Revista teórica marxista é uma obra vendida aos militantes e simpatizantes e um dos poucos instrumentos para captação de recursos, já que o movimento não aceita doações de empresas.
Outra forma de arrecadação é a doação espontânea dos participantes. Neste evento, que participei do início ao fim, foi anunciada a passagem de um envelope que ao término havia arrecadado pouco mais de R$ 250,00.

 A venda de outros impressos, principalmente livros, também ajuda na a arrecadação de recursos.
A distribuição de outros materiais gratuitos complementa a estratégia de comunicação.
Ao término do encontro, que ocorreu na sede do Sinsej, em Joinville, liderados pelo vereador Mariano, o grupo cantou o Hino da Primeira Internacional que aconteceu em 1848 com a presença de Marx e Engels. Surpreendeu o vigor da plateia com o hino.
Posso estar enganado, mas o evento de ontem tem tudo para fazer história na política brasileira. Foi uma primeira ação pública para a criação de uma frente de esquerda que pretende reunir partidos e movimentos que não acreditam mais no PT.
A Frente de Esquerda já é um movimento em discussão com a Esquerda Marxista, o PCB, e dezenas de grupos de artistas e intelectuais bem como vem estimulando o retorno de militantes que se desligaram das atividades e se aglutinam à causa. "Tem uma multiplicidade ainda não mensurável e totalmente conhecida, mas estamos recebendo convites de grupos para nos ouvir e discutir sobre esta nova ordem", diz Goulart.
A meta é a realização de um encontro nacional em 2016.
Internacionalmente, essa frente que se articula no Brasil tem sintonia e afinidade com o PODEMOS, na Espanha; o SYRISA, na Grécia e a frente de esquerda na França. Em julho haverá um encontro na Itália. "A lava está se movendo em todos os continentes", finaliza Goulart.

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