quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Brasil, uma nova história revelada

Era o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). Se durante a tarde o plenário estava praticamente vazio quando o suplente de deputado, o negro Sandro Silva, ocupava a tribuna para exaltar a data, a noite foi muito mais participativa.
Os escritores, Adílcio e Lucas Cadorin recebiam amigos e convidados para o lançamento do livro "Laguna Terra Mater - Dos Sambaquis à República Catarinense - Cronologia Histórica".
Do pai, o historiador e advogado Adílcio Cadorin, esta é a quinta obra literária. Do filho, o também advogado e historiador iniciante, a primeira, em co-autoria.
Em suas 400 páginas revelações surpreendentes. O início é 4.500 A.C. e a constatação de que na pré-história, Laguna foi uma região com um dos maiores povoamentos do planeta. Segundo os autores, "Laguna - Terra Mater é o resultado de uma meticulosa pesquisa, colhida junto a arquivos e bibliotecas européias e americanas, somados a minuciosa colheita de citações e referências capturadas de mais de uma centena de obras e registros históricos que foram zelosamente catalogados e arquivados ao longo de mais de vinte anos".
A renda da venda dos livros está sendo toda doada ao mais antigo hospital do sul do Estado, o de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, fundado em 03 de abril de 1855, quando o Brasil era governado por D. Pedro II e a escravidão negra encontrava-se no auge.
A presidenta Regina Ramos dos Santos agradeceu, em nome da diretoria, "tão nobre iniciativa". O hospital tem 110 leitos e 90% do atendimento é feito através do SUS (Sistema Único de Saúde). Uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) está em construção.
Os discursos foram rápidos e informativos, o que atraiu a atenção dos presentes.
O jovem escritor, Lucas Cadorin, destacou, com humildade, sua co-autoria no livro. Confidenciou-me a admiração que tem por seu pai e pelas obras (não só as literárias) que o viu realizar em sua vida. 
"Ele não é só meu pai. É meu ídolo. Ele me inspira por tudo o que realizou. É muito difícil chegar aos pés dele. Mas, estou trilhando os seus caminhos".
Com apenas 26 anos, conheci o Lucas quando ele ainda passava por baixo das pernas de seus genitores. É um garoto com o DNA também ético dos seus pais; Amigos que estimo muito.
O jovem advogado tributarista diz que apesar de não ter nascido em Laguna, é o seu berço e onde pretende morar o resto da sua vida. "Laguna tem uma história que ainda não foi totalmente contada e os lagunenses precisam desvendá-la, pois terão ainda mais orgulho desta cidade". Ele disse-me ainda que tem muitos planos para o futuro. "Tudo o que fiz e pretendo fazer tem a minha família envolvida. Isso me dá muita segurança", comemora.
O deputado José Milton Scheffer foi quem representou a Alesc destacando o valor da obra e sua importância como documento que faz um amplo resgate histórico. Há ainda que destacar o profissionalismo de toda a equipe do setor de cultura e cerimonial da Alesc, no evento.
Autor de diversas obras sobre o patrimônio imaterial e histórico da região sul, Adílcio Cadorin foi o responsável pelo processo judicial que autorizou o registro tardio da certidão de nascimento da heroína catarinense, Anita Garibaldi, 178 anos após o seu nascimento.
Entusiasta da história do município, também escreveu e dirigiu peças multiteatrais como a "Tomada de Laguna". Em sua fala no lançamento do livro, o incansável Cadorin anunciou que também está contando com a ajuda do filho para mais uma obra literária. "Estamos elaborando um dicionário de expressões e fatos da história brasileira. Uma obra de interesse nacional para os curiosos da história feitos nós".
Então, em breve, mais uma dos Cadorins...
Algumas fotos da sessão de autógrafos e do coquetel de lançamento do livro "Laguna - Terra Mater":
Pai, mãe e filho. Ela, Ivete Scopel, é a atual vice-prefeita de Laguna

Adílcio Cadorin também me confidenciou que se não fosse a participação do filho, o livro não teria sido editado. "O Lucas foi paciente e me estimulou. Ele tem uma fluidez muito boa quando escreve, e sem o concurso dele eu não teria lançado este livro".
Ele pormenoriza que a obra tem como referência documentos inéditos e destaca um, achado na Espanha, em que os espanhóis que moravam aqui fazem um pedido de socorro. "Uma caravela que trazia 60 mulheres, virgens, naufragou na boca da Barra de Laguna. Isso, 130 anos antes de os portugueses chegarem aqui. Foram estes espanhóis que deram nome ao lugar. O documento é de 01/01/1952".
Porquê 60 virgens? A resposta está no livro.
Antes de ir para a Alesc dei uma caminhada e passei pela Praça da Figueira para ver o presépio de Floripa.

2 comentários:

  1. Muito interessante!!Tão pertinho de mim!!Vou ler o livro.Parabéns, Altamir por nos proporcionar o conhecimento.

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  2. Parabéns, Altamir, por nos proporcionar o conhecimento.Vou ler o livro.

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