quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano Novo e Metamorfose

Na postagem anterior relatei parte do meu último dia de 2012 destacando minhas companhias aladas. Pois no primeiro minuto de 2013 outra inusitada e agradável companhia, também alada, fez o brinde de Ano Novo comigo.
Pousada na minha mão uma cigarra brinda-me para o meu brinde de Ano Novo

No Brasil, na época da primavera e verão, as cigarras ficam em intensa agitação, e os machos que possuem aparelho estridulatório em seu abdômem emitem sons para atrair as fêmeas. Cada espécie de cigarra tem um canto diferente, sendo que as maiores fazem mais barulho, principalmente nos dias mais quentes.
Os machos das cigarras são cantores contumazes para se proteger dos predadores, mas também para atrair as fêmeas. O som alto e estridente agride o sensível ouvido das aves e atrapalha a comunicação deste grupo de predadores.
Tanto os machos quanto as fêmeas possuem um par de membranas que funciona como orelhas, para que o som estridente não provoque danos ao inseto.
Elas são insetos que pertencem à ordem Homoptera e à família Cicadidae, possuem um longo período de transformação que chamamos de metamorfose. A metamorfose nos insetos é comum, e as cigarras são os únicos insetos que produzem esse som alto e estridente que conhecemos. 
As fêmeas adultas de cigarra são fecundadas pelo macho no período de intensa agitação,
que é quando os machos cantam mais

Depois de fecundadas, as fêmeas põem seus ovos em ramos e folhas de vegetais, e morrem logo após. Quando os ovos das cigarras eclodem, saem ninfas (insetos jovens) que descem da planta e se enterram no chão, alimentando-se da seiva das raízes. 
Muitas espécies de cigarra têm períodos diferentes de amadurecimento, com ciclos vitais de duração variada - de um a dezessete anos -, enquanto as larvas ficam sob a terra. Mas sete espécies do gênero Magicicada têm uma característica adicional: elas são sincronizadas, ou seja, saem do chão todas ao mesmo tempo, para cerca de duas semanas de canto ensurdecedor, acasalamento e postura de ovos.
A fotógrafa da virada foi a Jéssica Andrade,
recém chegada da Índia depois de quase um ano por aquelas terras

Elas não cantam até explodir ou morrer. É pura lenda. Mas, os "esqueletos" encontrados grudados nas árvores, que parecem de insetos explodidos, são casquinhas, suas peles.
O que acontece com as cigarras é o que acomete todos os outros artrópodes. Elas “trocam de roupa”, ou seja, elas passam por um processo que chamamos de ecdise ou muda.
Aquela casquinha de cigarra que encontramos no tronco das árvores é apenas o esqueleto velho de uma fase em que ela era menor e mais jovem, geralmente da fase larval. As larvas de cigarra geralmente vivem no solo, e quando estão prontas para se tornarem adultas, sobem pelo tronco das árvores onde se prendem para passar pela muda, que é obrigatória para seu crescimento.
Desde quando a cigarra ainda é uma larva até que se torne adulta, ela precisa trocar sua cutícula externa que é dura e resistente o bastante para não deixá-la crescer. Assim, passa por esse processo, em que secreta uma nova cutícula, bastante mole, e, depois de romper a velha cutícula através de uma fenda, sai de dentro dela. A nova “pele” da cigarra é mole e expansível, e ela cresce bombeando ar ou água para seu interior. Quando finalmente a cutícula endurece, ar ou água são substituídos por um real crescimento de tecidos e então ela já está maior.
Que o Ano Novo seja, de fato, um novo tempo, de mudanças,
de metamorfose, de prosperidade. Feliz 2013

E para terminar essa primeira postagem de 2013, que tal ouvir Gigarra, com Elza Soares e Letícia Sabatella?

Nenhum comentário:

Postar um comentário