domingo, 16 de dezembro de 2012

Futebol é a mais brasileira das religiões

A única vez na vida que entrei em campo para jogar bola fui parar no hospital e carrego essa marca para o resto da minha vida... conto depois.
Bola, na minha casa, é adorno entre os meus livros

Mas antes preciso confessar. Estou impressionado com esse fanatismo da "nação corintiana". Mais de 25 mil torcedores, em Yokohama, no Japão, desde o primeiro minuto num coro inflamado ecoando para o mundo de um dos templos do futebol.
Aos exatos dez minutos mudou a música, para um grito coletivo de susto, quando o time inglês, Chelsea, numa falha da defesa corintiana, quase faz o primeiro gol da partida. Dezoito minutos depois ecoa um coro sonoro inverso com um quase gol, agora do time brasileiro. É um enfrentamento de dois gigantes desse esporte que nasceu na inglaterra. Mais parece fim de copa do mundo!
Aos 34 minutos, mais uma chance perdida de Emerson. E a torcida explode sem ficar em silêncio um só segundo desde o início da partida. Aos 37 o goleiro Cássio faz a segunda defesa. Aos 38 outra. Jogo de titãs. Mais 3 minutos e outra defesa do goleirão brasileiro. E a torcida não pára. Termina o primeiro tempo 0x0. Destaque para o Cássio. O Chelsea teve chances mais concretas de gol, mas ouço muito que "quem não faz, toma"...

Ícone da religião que mais mobiliza brasileiros é destaque na minha estante, entre livros

Cinco minutos do segundo tempo e o Chelsea vem pra cima!
Mais três minutos e Cássio é "o cara". E a torcida continua no mesmo ritmo, religioso. Segundo Frei Beto, jogo de futebol no Brasil é missa obrigatória. "Eu disse missa? Sim, sem exagero. Porque, no Brasil, futebol é religião. E jogo, liturgia. O torcedor tem fé no seu time. Ainda que o time seja o lanterninha, o torcedor acredita piamente que dias melhores virão. Por isso, honra a camisa, vai ao estádio, mistura-se à multidão, grita, xinga, aplaude, chora de tristeza ou alegria, qual devoto que deposita todas as suas esperanças no santo de sua invocação."
Golaço aos 23 minutos, de Paulo Guerrero, e a explosão do "bando de loucos", da torcida corintiana e fogos, muitos, também em Joinville.

O meu jogo...
Eu trabalhava na Cia Hansen Industrial (atualmente Tigre S.A.) e chefiava uma das fábricas do grupo empresarial, em Joinville, SC, às margens da BR 101. Liderava um grupo de meia centena de empregados, a maioria mulheres. No entanto, tinha homens suficiente para um time de futebol de salão. E uma grande e bela torcida.
Decidi apoiar iniciativa nascida na base e patrocinei uniforme para o time. Eu estava lá, na SER Tigre, era o seu diretor social e aproveitava o momento do cargo para articular o jogo. Para minha surpresa, o time, empurrado pela torcida, me intimou a entrar em campo. Não tive como fugir a intimacão, até porque me foi dito que eu só precisava ficar lá, no ataque, esperar a bola e fazer o gol. Se era fácil assim...
Esqueceram de avisar os jogadores do outro time. A bola chegou aos meus pés. Dei um toque e me impulsionei para chutar. A defesa veio com tudo no meu pé de apoio. Foi um tombo, desajeitado. Ouvi um estalo quando minha mão apoiou o corpo no chão e uma dor terrível. Arrebentou o tendão do dedo anular da mão direita. Menos de três minutos de jogo e fui parar no hospital.
Nunca mais entrei em campo. Foi a primeira e última vez na vida. Mas, gosto de assistir um bom jogo. E isso tenho visto muito com os times brasileiros. Não sou torcedor de nenhum time. Em cada jogo torço pelo espetáculo. Jogos como esse do Corinthians, não perco. É minha missa do domingo, sábado, quarta, qualquer dia da semana.
Sempre que assisto um jogo, olho para a cicatriz e rio...


E o Corinthians é o Campeão Mundial de Clubes 2012, pois o bandeirinha que deixou de marcar vários impedimentos, marcou acertadamente um gol impedido do Chelsea, na prorrogação. O Japão vai ter mais um terremoto! Que jogo!

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