sábado, 5 de novembro de 2011

Sarau dos mortos no encontro semanal literário musical

Véspera de feriado de finados, desse novembro de 2011. Sarau dos Mortos.
Antes preciso contradizer. Dizem que o Arroio Dilúvio está morto, de tanta poluição. Enganam-se todos. No último dia do mês de outubro de 2011 pedalei pelas duas margens no trecho entre o shopping Bourboun e o Guaíba. Vou mostrar apenas duas fotos que fiz nessa incursão.
Esta fiz próximo ao prédio da Polícia Federal. Encontrei vários cardumes desses peixes. Todos com tamanho médio superior aos 50 cm. Tartarugas? Dezenas também
Elas sobem o lixo que também abunda no Arroio Dilúvio, para seus diários banhos de sol


Se você duvida, num dia ensolarado, caminhe ou pedale às margens dele e confira com seus próprios olhos e equipamentos foto e cinematográficos. Mas, precisa se esforçar para acreditar no que vê.
Tanto que parei numa das pontes para fotografar do meio dela uma tartaruga do tamanho da circunferência que meus braços formam de mãos dadas.
Um daqueles vendedores veio para me vender. Quando ele chegou eu perguntei há quanto tempo ele atua ali. "Há muitos anos", me disse.
- Já vistes isso? - e apontei para o animal que nadava como se fosse num daqueles filmes da Discovery.
- Quem botou isso aí? - Espantou-se o ambulante.
Eu disse que tem muitas. E peixes também. Disse que se ele quisesse ver um cardume com dezenas de peixes enormes e outras dezenas daquelas tartarugas era só ele ir rio acima uns 200 metros.
O homem me olhou daquele jeito de quem está ouvindo um grande mentiroso.
Se ele não acreditava no que via, como iria acreditar no que eu dizia?
Mas os bichos estão lá e, felizmente, duas universidades estão se mobilizando para a despoluição. A vida agradece.


Agora voltemos dos vivos que dizem que estão mortos e vamos para os mortos celebrados pelos vivos.
Fui conhecer o Sarau Elétrico que se apresenta lá semanalmente, às terças-feiras, desde 1999. Nele já estiveram Luís Fernando Veríssimo, Lya Luft e Moacyr Scliar. Nessa minha primeira noite, os integrantes priorizaram o tema do feriado. Diversão com inteligência. Para voltar muitas vezes.
Com o objetivo de reverenciar textos, o bar temático com decoração e comida árabe lota e já chegou a receber na mesma noite mais de 300 pessoas.
Durante uma hora ouvi bons textos e poesias lidas pelo quarteto formado por Luís Augusto Fischer, Claudio Moreno, Claudia Tajes e Katia Suman, criadora do grupo literário-cultural. Moreno é especialista em mitologia grega. Foi fácil compreender o tamanho da sua popularidade entre os frequentadores desse bar do bairro Bom Fim, tradicional cenário gaúcho de movimentos de contracultura da capital riograndense, do sul.
Para entrar paga-se R$ 10,00. O sarau é seguido de show. Naquela noite uma banda local (Café dos Monstros) brindou-nos com excelente música. O pocket show é a atração seguinte ao sarau. Na próxima terça-feira, dia 8, às 20h, eles farão o lançamento do livro do Sarau Elétrico. Infelizmente não poderei ir.
"Quatro leitores. Doze anos. Centenas de escritores. Milhares de livros. Milhões de linhas. Incontáveis leitores-ouvintes eletrizados. Uma festa semanal. Mas festa discreta, sem ulalá nem alalaô. Na manha. Na manha da Osvaldo Aranha. No ritmo da cidade: desconfiado e intenso. Uma celebração da literatura e da vida. Faz doze anos que o bar Ocidente, abriga, toda terça, o Sarau Elétrico. Fenômeno que Porto Alegre inventou e acolheu, uma hora semanal de leitura (de ótimos textos, literários e não, agudos e graves), comentário (nossa modesta contribuição para a festa da sensibilidade e da inteligência da espécie humana) e humor (às vezes mau, para dar tempero ao dominante bom). Mas uma hora que se repete há doze anos. Sarau Elétrico: literatura unplugged com o dedo na tomada".
Assim divulgam. Fui só uma vez. Posso afirmar que o texto acima se confirma. Sempre que eu estiver em POA, numa terça-feira, estarei lá. Farei o possível para estar lá às terças-feiras.
O músico Frank Jorge fez parte do grupo de 1999 a 2005. Desde então os participantes fixos são:
Luís Augusto Fischer, professor de literatura brasileira na UFRGS, doutor em Nélson Rodrigues, escritor, cronista e jornalista nas horas vagas. Autor de vários livros de crônicas, ensaios e contos, com destaque para o já clássico Dicionário de Porto-Alegrês e a premiada novela Quatro Negros.
Claudia Tajes trabalha em criação publicitária, escreveu alguns roteiros para televisão e tem 6 livros publicados, entre eles Dez (Quase) Amores, As Pernas de Úrsula, A Vida Sexual da Mulher Feia e Louca por Homem.
Cláudio Moreno, professor de português do Unificado e Leonardo da Vinci, escritor e cronista. Especialista em mitologia grega. Autor do best-seller Tróia, entre outros. Mantém o site www.sualingua.com.br
Katia Suman, graduada em Ciências Sociais, mestre em Comunicação, radialista e apresentadora da TV COM.



Tenho duas outras postagens da minha recente imersão em POA:
http://jornalistaandrade.blogspot.com/2011/11/comecei-imersao-em-poa-pela-mais-bela.html
http://jornalistaandrade.blogspot.com/2011/11/existem-tres-tipos-de-palhacos.html
Farei outras em breve.


Para saber mais do Sarau Elétrico acesse www.saraueletrico.com.br

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