segunda-feira, 4 de maio de 2009

Aquecimento Global


Desenvolvimento Sustentável não é mais possível

No livro “A vingança de Gaia” James Ephraim Lovelock adverte que estamos abusando da Terra e que ela poderá se insurgir e retornar ao estado quente de 55 milhões de anos atrás. Sendo um dos mais respeitados ambientalistas mundiais, ele insiste que a preocupação para uma “Terra sadia” deve vir em primeiro lugar em cada ser humano.
Autor de mais de duzentos artigos científicos e o criador da Hipótese de Gaia, já aceita no meio científico como Teoria de Gaia, seu mais polêmico alerta nos últimos anos tem sido advertir ao mundo que não é mais possível o desenvolvimento sustentável: “O erro que compartilham é a crença de que mais desenvolvimento é possível e a Terra continuará mais ou menos como agora pelo menos durante a primeira metade deste século. Duzentos anos atrás, quando a mudança era lenta ou nem sequer existia, talvez tivéssemos tempo para estabelecer o desenvolvimento sustentável, ou mesmo continuar por algum tempo deixando as coisas como estão, mas agora é tarde: o dano foi cometido. Esperar que o desenvolvimento sustentável ou a confiança em deixar as coisas como estão sejam políticas viáveis é como esperar que uma vítima de câncer no pulmão seja curada parando de fumar”.
Apesar dos fartos argumentos e comprovações científicas que confirmam que a Terra levaria mais de mil anos para se recuperar do dano já infligido, Lovelock dá-nos esperança com um “talvez” sobre o futuro desta civilização. “Ainda que cessássemos neste instante de arrebatar novas terras e águas de Gaia para a produção de alimentos e combustíveis e parássemos de envenenar o ar, talvez seja tarde demais até para essa medida drástica nos salvar”.
Pude conhecer, em São Paulo, uma família que foi passear em área rural com seus filhos. Um deles, ao ver uma galinha atravessar apressadamente a estrada gritou: “Olha, uma knorr”. Considerando que metade da população mundial vive em áreas urbanas, Lovelock avisa: “Precisamos acima de tudo renovar aquele amor e empatia pela natureza que perdemos quando começamos nosso namoro com a vida urbana”.
Sobre o futuro da humanidade, o pesquisador é pragmático: “As perspectivas são sombrias, e, ainda que consigamos reagir com sucesso, passaremos por tempos difícieis, como em qualquer guerra, que nos levarão ao limite. Somos resistentes, e seria preciso mais do que a catástrofe climática prevista para eliminar todos os casais de seres humanos em condições de procriar. O que está em risco é a civilização. Como animais individuais, não somos tão especiais assim, e em certos aspectos a espécie humana é como uma doença planetária”.
Antes de odiá-lo por essas afirmações leia “A Vingança de Gaia” e mobilize todos que estão ao seu redor para agirmos como ele próprio recomenda: “Precisamos agir agora como se estivéssemos prestes a ser atacados por um inimigo poderoso. Precisamos, acima de tudo, daquela mudança de corações e mentes que ocorre nas nações tribais quando pressentem o verdadeiro perigo”.

Altamir A. Andrade é jornalista, sócio-fundador e presidente do Instituto de Preservação e Recuperação da Biodiversidade de Joinville e Região - Viva o Cachoeira - IVC e Membro da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina

Um comentário:

  1. Sabe, vários seres vivos tiveram sua oportunidade no planeta e foram eliminados, nós estamos tendo a nossa chance, o que cada um faz? Talvez sejamos a próxima espécie a ser eliminada para que a Terra encontre novamente o equilíbrio.

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